INDÚSTRIA: Cientistas da UFRJ e Unicamp denunciam baixa inovação

Mudanças não transformam nem melhoram a competição, ressalta coordenador geral de pesquisa

Pesquisadores das universidades UFRJ e da Unicamp trabalham no mapeamento das inovações que surgirão na indústria brasileira nos próximos dez anos. Parte do estudo durante a 18ª edição dos Diálogos da Modernização Empresarial pela Inovação (MEI), evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

David Kupfer, coordenador geral do projeto e pesquisador da UFRJ, avalia que a indústria no país está atrasada. “As inovações, hoje, estão numa fase em que não transformam, não melhoram a competição”, disse. Kupfer ressalta  que não é necessária uma descoberta revolucionária para que a inovação chegue à indústria. “A convergência de tecnologias já existentes, emergentes, ao serem incorporadas, vão provocando o processo de transformação”, disse.

Segundo o coordenador do projeto, na comparação entre as áreas de transformação, chamadas de clusters, a nanotecnologia está entre as mais promissoras, com inovações frequentes e expectativa de amadurecimento em até cinco anos. A biotecnologia, especialmente o sequenciamento genômico, também mostra-se madura, na avaliação do especialista. Além disso, a inteligência artificial no setor de bens de capital encontra-se em fase um pouco mais avançada. A maior parte dos clusters, no entanto, não tem previsão de avanços no curto prazo.
Internet das Coisas

O especialista da Unicamp Antônio Bordeaux destaca a expectativa de que a Internet das Coisas – integração tecnológica que inclui recursos digitais na linha de produção, que resulta na produção de máquinas e dispositivos conectados – gere ganhos de 20% a 30% em produtividade. “Os tesouros são os dados gerados a partir da observação da linha de produção. O que se coloca nos produtos que saem das fábricas”, disse.

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