OPINIÃO: Sobre arte, censura e história: o que diz a lei?
Rafaela Cysneiros* Em 1933, Hitler subiu ao poder e um dos primeiros acontecimentos marcantes foi a fogueira de livros organizada em maio de 33. A consequente criação da Câmara de Cultura, liderada por Goebbels, garantiu que somente indivíduos de origem ariana, sem inclinações bolchevistas, tidos como inimigos “não-alemães”, poderiam seguir sendo artistas e desenvolver seu ofício. Dentre esses artistas arianos e “suficientemente” alemães para explorarem a arte, um dos de maior destaque foi Leni Riefenstahl. Responsável pelo filme o “Triunfo da Vontade” e por belas fotografias das Olímpiadas de 1936, Leni, no entanto, caiu no esquecimento ao final da guerra, quando foi taxada como “a cineasta de Hitler” (enquanto Marlene Dietrich, atriz sem grandes feitos até então, era elevada a heroína das tropas anti-nazistas). Em 1967, Patti Smith conheceu Robert Mapplethorpe, que, após passar muitas dificuldades e percalços, relatados por Patti no livro “Just Kids”, alcançou notoriedade como fo...