DESASTRE DA TAM: Acidente de 10 anos atrás mudou segurança em Congonhas

                                              Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Diretora da Anac e executivos da companhia foram responsabilizados e, posteriormente, absolvidos. Latam também promoveu alterações recomendadas pelo Cenipa

O aeroporto de Congonhas, em São Paulo, passou por mudanças após o acidente com o airbus da TAM ocorrido 10 anos atrás. Para aumentar a segurança na pista do terminal, foram adotadas medidas como a redução no número de autorizações para pousos e decolagens. Parte das alterações foram recomendadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), antes do acidente, o aeroporto operava sem limite definido, com até 38 slots (autorizações de pouso e decolagem)por hora. Foi implantada também uma nova malha aérea, organizando rotas e horários de voos, além do aumento da fiscalização operacional das companhias aéreas.

Uma instrução normativa proíbe pousos e decolagens no aeroporto quando os sistemas que aumentam o desempenho da frenagem da aeronave (os reversos) estiverem inoperantes. As pistas de pouso e decolagem atualmente têm grooving, ranhuras que auxiliam a frenagem.A Latam Airlines afirmou queos procedimentos da companhia foram aprimorados. “[Há ainda] novas capacidades tecnológicas que podem nos apoiar na agilidade de todo o processo de apuração e atendimento aos familiares”. A companhia assegurou que cumpriu as 24 recomendações feitas pelo órgão para melhoria da segurança aérea. “Muitas dessas recomendações já eram aplicadas pela empresa e foram aprimoradas após o ocorrido.”

De acordo com a Latam, entre as recomendações adotadas pela companhia estão a criação de programas para reforçar a conscientização sobre segurança operacional entre todos os funcionários, reforço do procedimento adequado junto à tripulação em caso da aeronave operar com restrições no reversor, padronização do treinamento aplicado aos pilotos para estarem familiarizados para atuar na função de copilotos, reforço nos processos de treinamento para a formação e reciclagem de pilotos.

Eram aproximadamente 18h48 do dia 17 de julho de 2007 quando o Airbus A 320 da TAM, que vinha do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, tentou pousar em Congonhas. A pista estava molhada e, por causa de uma reforma recente, não tinha grooving. De acordo com as investigações, por um erro nos comandos dos pilotos no sistema que termina a aceleração ou reduzem a potência do motor, a aeronave não parou. O airbus atravessou a pista, passou sobre a Avenida Washington Luís e bateu num prédio de cargas da própria companhia, provocando a morte de 199 pessoas.

Sem punição

Passados dez anos, ninguém foi condenado pelo acidente com o Airbus A320 da TAM, ocorrido em 17 de julho de 2007. A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, o então vice-presidente de operações da TAM, Alberto Farjeman, e o diretor de Segurança de Voo da empresa na época, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro foram denunciados pelo Ministério Público por “atentado contra a segurança de transporte aéreo”, na modalidade culposa. Eles foram absolvidos pela Justiça de primeira instância e também pelo Tribunal Regional Federal.

O Cenipa concluiu que uma série de fatores contribuíram para o acidente. O relatório do Cenipa constatou, entre vários pontos, que os pilotos movimentaram, sem perceber, um dos manetes para a posição idle (ponto morto) e deixaram o outro em posição climb (subir). O sistema de computadores da aeronave entendeu que os pilotos queriam arremeter (subir).

O documento também relata que não havia um aviso sonoro para advertir os pilotos sobre a falha no posicionamento dos manetes e que o treinamento dos pilotos era falho: a formação teórica dos pilotos, pelo que se apurou na época, usava apenas cursos interativos em computador.  A Latam Airlines negou que houvesse falhas no treinamento dos pilotos, argumentando que tanto o treinamento quanto os procedimentos dos pilotos são feitos conforme padrões mundiais de segurança e norteados pelos manuais do fabricante e aprovados pelas autoridades do país de origem e órgãos reguladores.

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