BAIANAS DE ACARAJÉ: Estudo para oficialização da profissão começa na segunda (3)


                                                          Foto: Jefferson Peixoto

Elas conhecem muito bem seus clientes, sabem monitorar preço e custo e têm um metodo produtivo mais rigoroso do que muitas empresas

Adriano Villela

Símbolo cultural da nossa cultura e atividade comercial típica do nosso estado, a baiana de acarajé se aproxima finalmente da condição de profissão. Começa nesta segunda-feira (3) o estudo técnico para a sua inclusão é na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), documento que reconhece, nomeia, codifica e descreve as características das atividades exercidas do mercado de trabalho brasileiro.

O trâmite para a inclusão será celebrado com uma solenidade, às 9h, na sede da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRT-BA), localizada na Avenida Tancredo Neves (atrás do Shopping Sumaré). O evento contará com a presença do prefeito ACM Neto, do secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Antônio Correia, da secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Taissa Gama, e da presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivo da Bahia (Abam), Rita Santos.

Na prática, o tabuleiro já é meio de se ganhar a vida honestamente desde o final do Século XIX, com as mercadoras. Eram escravas que conquistavam a alforria com este trabalho ou ex-escravas que encontraram no comércio de rua o meio de sustento. À época, o tabuleiro era carregado acima da cabeça. Foi também neste período que atuou Ubaldina de Assis, mas tarde a primeira baiana a estabelecer tabuleiro no Rio Vermelho. O ponto foi assumido pela neta, Lindinalva Assis, conhecida em todo o Brasil como Dinha do Acarajé.

Foi por meio de Dinha que conheci o nível de organização desta categoria. Em 2006, fiz o seu perfil de empreendedora na monografia de conclusão de Especialização em Administração pelo CPA, da Escola de Administração da Ufba. Por não ter formação acadêmica, erradamente muitos encontram nas baianas uma desorganização, um improviso que na prática não existem.  Morta por razões naturais em 2008, Dinha era uma liderança no comércio de toda a região. Por isso, o local foi popularmente rebatizado como Largo da Dinha.

As baianas conhecem muito bem seus clientes, o marketing é ao vivo, sabem organizar preço e custo e têm um método produtivo mais rigoroso do que muitas empresas. A qualidade da matéria-prima é tratada como ouro. Só não espere que elas contem a receita e o modo de preparo do quitute. Mas infelizmente, o tabuleiro perde espaço em locais e momentos importantes, como em programações oficiais de Réveillon, em circuitos de Carnaval (especialmente camarote), nas praias e na Arena Fonte Nova, o estádio da Copa.

 Apenas em Salvador, cerca de 3.500 profissionais devem ser beneficiadas, conforme estimativa da Abam. Desde 2005, as baianas são reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan. Com a inclusão da profissão na CBO, as baianas de acarajé passam a assumir a identidade profissional ao realizar cadastros formais para tirar documentos como RG e passaporte, ou se cadastrar como microempreendedor individual.

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