SALVADOR-ITAPARICA: Ponte pode virar túnel, revela governador


Em paralelo à questão fiscal, o país tem tradição em obra inacabada. O projeto da ponte já tem risco alto, fica maior com a indefinição entre túnel ou ponte
Adriano Villela

Apresentado oficialmente pela Secretaria do Planejamento em 2011, o projeto da ponte Salvador-Itaparica pretendia dar início das obras em 2014. Até agora nem como proposta pronta para ser implementada existe. Nesta segunda-feira (11), em entrevista à Metrópole, o governador Rui Costa revelou que a ponte pode virar túnel.“Um engenheiro chinês propôs fazer um túnel ao invés da ponte, disse que ficaria mais barato. Eles levantaram essa hipótese, acredito que estudos preliminares eles já fizeram, mas pediram mais estudo. Eu disse que o nosso interesse é a ligação. Então, tem essa possibilidade também”, disse.

Da minha parte, preferia que não fosse nem ponte nem túnel. É uma proposta cara, orçada em R$ 7 bilhões. Já era de execução duvidosa seis anos atrás, com o Brasil recém saído da era Lula, quando o país cresceu a uma média de 4% ao ano. No momento, uma média de 0,4% ao ano já seria motivo de comemoração. Segundo Rui Costa, "o pedágio pode corresponder até metade do preço da ponte, 50% está resolvido, mas faltam os outros 50%. O que ocorreu com Niterói vai correr com a ilha, todo mundo vai querer morar lá”.

Pode ser. Não conheço estudos e nem ouvi especialistas falando sobre o túnel - uma ideia nova -, mas aviso de saída: seria preciso novos estudos ambientais e de viabilidade técnica. Um leigo sabe que os impactos ambientais e as necessidades técnicas são diferentes.

Minha dificuldade maior com a(o) ponte/túnel Salvador-Itaparica só teria algum retorno caso seja integralmente executado(a). Meta de uma ponte ou do túnel não leva nada a lugar nenhum. A Fiol ou projetos de mobilidade ainda não iniciados, como BRT e o VLT de Salvador, podem ser entregues em partes, a exemplo do que já acontece com o metrô, que mesmo incompleto já foi útil até na Copa do Mundo e na Olimpíada.

Em paralelo à dificuldade fiscal - mais federal do que estadual, mas afetando a ambos -, o país tem uma larga experiência de obras inacabadas, como a Transnordestina, Comperj, Angra 3 (hoje em dia, mais Angra 1 e 2), Transposição, etc. O risco de um fracasso é alto e ampliado com a indefinição sobre se será ponte ou túnel. Preferia que as propostas de engenharia focassem na Ferrovia Oeste Leste e no Porto Sul e a Agerba, como agência reguladora, atuasse mais no sistema Ferry-Boat e nas lanchas.

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