OBRAS DA COPA: No ano da Rússia 18, projetos para Brasil 14 seguem atrasados

Conclusão do encalhe seria uma solução para novos governos reduzam gastos e fomentem crescimento

Adriano Villela

Sou da opinião de que uma boa forma de o poder público reduzir gastos e incentivar o crescimento econômico e social é resolver o encalhe de obras paradas. Um exemplo pronto e acabado estão nos projetos para a Copa 2014. O torneio seguinte, na Rússia, vai começar daqui a menos de um mês e o Brasil ainda engatinha para entregar obras do Mundial passado.

Segundo balanço completo do G1, são 11 das 12 sedes que ainda devem intervenções inicialmente previstas para Brasil-14. Somente o Rio de Janeiro concluiu tudo, mais por força da capital fluminense ter realizado a Olimpíada.

Um leitor mais otimista vai indagar: mas o torneio já passou, não adianta mais falar na Copa. Engano duplo. Primeiro porque o problema é só uma mostra, que inclui ciclovia que desaba no Rio, pista que sede na principal avenida em Brasília e, no caso baiano, dois projetos de centro de convenções em que nenhum dos dois saiu do papel.

Tem mais: ano que vem a Copa América é no Brasil. A proposta em voga é termos seis sedes ou até menos, cinco, com São Paulo cedendo dois estádios. Passados quatro anos, podemos não entregar nem metade da estrutura tida como pronta

Salvador -

No caso da capital baiana, o levantamento do G1 aponta o aeroporto como atraso principal. O terminal foi privatizado sem que as obras sinalizassem uma conclusão, levando Salvador para o posto de pior aeroporto entre as capitais. Desde janeiro, a francesa Vinci assumiu o equipamento e anunciou obras até 2019. Somente no verão seguinte pode-se avaliar o resultado daquilo que foi prometido para 2014.

Intervenções como a reforma da fachada e a 2ª etapa de construção da nova área de check-in do aeroporto internacional de Salvador não foram concluídas.

Situação grave também para o BRT, que chegou a ser concluído na  Matriz de Responsabilidades do Ministério do Esporte e depois retirada da programação do torneio. As intervenções começaram este ano, com promessa de entrega do primeiro trecho em 2020. O mesmo pode ocorrer com a segunda etapa, não iniciada até então.

No plano municipal, havia ainda quatro rotas de mobilidade do pedetre. As rotas 1 e 2 partiriam da região portuária, a cerca de 3 km da Arena, enquanto a rota 3 sairia da estação de metrô de Brotas, a pouco mais de 1 km do estádio. A rota 4 teria origem em um estacionamento no bairro de São Raimundo, que fica a cerca de 2 km da praça esportiva.

A única rota da Copa em Salvador concluída, chamada de Fan Walk, iniciava na região do Mercado Modelo, no bairro do Comércio, seguia para o Terreiro de Jesus e Cruzeiro do São Francisco, chegando até a Arena Fonte Nova via Desterro. Já o terminal de passageiros do Porto foi finalizado e está em funcionamento.

Iniciado em 1999, o metrô retomou as obras em 2013. Na Copa, teve apenas a linha Lapa-Pirajá. Atualmente, a linha 2 vai até o aeroporto, garantindo um novo uso caso Salvador participe da Copa América. Faltam alguns trechos - Pirajá-Aguas Claras e aeroporto-Lauro de Freitas, mas as intervenções estão dentro do cronograma estabelecido pós 2013.

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