CRISE CAMINHONEIROS: Escassez no abastecimento chegou

Quatro aeroportos podem parar,  postos estão com estoque baixo de combustíveis, rede Carrefour e produtores de aves e leite contabilizam perdas

Adriano Villela*


No quarto dia de estradas bloqueadas, os efeitos para a mobilidade de pessoas já se sentem com proporção acima do razoável também no ar. Pelo menos em quatro capitais os aeroportos só possuem combustível para esta quinta-feira (24). Em Recife (PE), Palmas (TO), Maceió (AL) e Goiânia (GO) aterrissagens e decolagens podem ficar bloqueados a partir desta sexta. Há protestos e bloqueios de estradas em praticamente todo o país (apenas Amapá e Amazonas estavam excluídos.

Em Congonhas (SP), o estoque também está no limite, mas há previsão de novo suprimento ainda hoje. Em Salvador, a situação é de relativa folga. Há combustível até segunda-feira (28). Algumas rotas já fizeram escalas não programadas para obter o querosene de aviação.

Nas estradas e cidades, a falta de combustíveis já é realidade também. Há postos funcionando em Salvador, alguns postos têm falta de um ou outro produto. O mais comuns são filas e preços que variam de R$ 4 a R$ 6 o litro.
Segundo balanço do G1, 16 estados têm alguma carência de combustível, como na Bahia em que 50% dos caminhões previstos não chegaram nos postos.

Em Brasília, há registros de postos fechados, com estoque de combustível zerado. Em São Paulo, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do estado, José Alberto Paiva Gouveia, informou que, desde o início dessa quarta-feira (23), os postos de abastecimento do estado não receberam combustível, e há estoque para operar só por até três dias.

No Rio de Janeiro, os produtos comercializados nas Centrais de Abastecimento (Ceasa), principal centro de distribuição de hortifrutigranjeiros no estado, já registram alta desproporcional de preços. Em São Paulo, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) informa que as paralisações já causam desabastecimento nos supermercados, em especial nos itens de frutas, legumes e verduras, que são perecíveis e de abastecimento diário.

A rede carrefour decidiu limitar a venda de cinco unidades por item para cada consumidor.O total de unidades processadoras de carnes suína e de aves paradas no Brasil em decorrência dos protestos de caminhoneiros aumentou nesta quinta dos 78 na véspera para 120 nesta quinta-feira,  informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Conforme a entidade,  “a situação nas granjas produtoras é gravíssima, com falta de insumos e risco iminente de fome para os animais”.Em Santa Catarina, um dos principais produtores nacionais , o risco é de “imprevisível impacto de ordem sanitária” em decorrência dos protestos, afirmaram o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado (Sindicarne) e a Associação Catarinense de Avicultura (Acav).

Produtores de leite da região Sul começam a descartar o produto estocado nos resfriadores e das ordenhas diárias pela falta de captação pelas cooperativas e indústrias, uma vez que o transporte está comprometido, segundo informação da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).


O setor de rações também emitiu alertas quanto à situação no país.“A continuidade e recrudescimento da mobilização dos caminhoneiros pode comprometer sobremaneira a entrega das rações e sal mineral para animais de produção, além dos alimentos para cães e gatos”, afirmou o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

* com informações do G1, Agência Brasil e Reuters do Brasil.

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