CONCESSÕES: Governo ensaia volta do trem de passageiros


                                                   Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Dos 80 projetos apresentados, apenas sete já foram repassados à iniciativa privada; a megaobra do trem-bala está descartada

A proposta de construção de um trem de passageiros - ligando São Paulo a Campinas - poderá ser incluída no rol do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). De acordo com o diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), José Carlos Medaglia Filho, o projeto pode ser viabilizado por meio de concessão ou, eventualmente, de uma parceria público-privada. O trem Intercidades deverá ter um trajeto de 135 quilômetros, com nove estações. A expectativa é de atender até 60 mil passageiros por dia.

Segundo Medaglia, a viabilização do projeto será feita em parceria entre a União e o governo do estado de São Paulo. “Há trechos que já têm concessão federal, e aí a gente precisa conseguir fazer um compartilhamento da mesma linha ou da mesma faixa de domínio”, afirmou o dirigente à Agência Brasil. O trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro (um projeto de mais de R$ 30 bilhões) está descartado.

Desde setembro do ano passado, o PPI apresentou duas rodadas de projeto, totalizando 80  concessões nas áreas de transporte, energia e gás e petróleo. Apenas sete foram repassados à iniciativa privada. Em março, os aeroportos de Salvador, Porto Alegre, Fortaleza e Florianópolis. Nenhum trecho ferroviário foi posto a venda. O setor tem gargalos, como a conclusão de toda a extensão da Norte-Sul e a Fiol, que ainda não teve trecho inaugurado.

Segundo Medaglia, estão em estudo mais de 30 trechos de rodovias federais, cerca de 40 terminais portuários, além de toda a malha ferroviária brasileira que também pode ser concedida. Também estão em estudo aeroportos que podem ser concedidos à iniciativa privada no próximo ano. Recentemente, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que o governo estuda a concessão de pelo menos mais dez aeroportos à iniciativa privada, entre eles os de Goiânia, Vitória e do Recife.

De acordo com o presidente da EPL, um dos cuidados que o governo está tomando é o de não apresentar projetos muito grandes, por causa das dificuldades de grandes construtoras de participar das concessões, devido às investigações da Operação Lava Jato. “Sabemos que, neste momento, os grandes players não estão com todo apetite, sabemos das dificuldades das grandes construtoras e concessionárias tradicionais. Então, é preciso que a gente esteja adequado a este momento”, destacou, na entrevista à Abr.

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