SENTO SÉ: Morte em garimpo de ametista era tragédia anunciada


Poder público visitou a região, mas pouco se fez para organizar a atividade. Será que o Estado existe apenas para proibir e cobrar tributo?

Adriano Villela

O dia 11 de dezembro de 1998 marcou uma das matérias mais difíceis que fiz. Naquele dia, uma explosão de fábrica de fogos de artifícios improvisada (para dizer o mínimo) matou mais de 60 pessoas em Santo Antônio de Jesus. A única sobrevivente foi uma menina que ainda estava na barriga da mãe. Houve tempo ao menos para o parto.

O que mais doía em quem se informava sobre o ocorrido era de que a ocorrência era claramente previsível, mas nada foi feito para evitá-la. Passados 19 anos, o mesmo aconteceu em Sento Sé, no Norte baiano, onde apareceram reservas de ametista. Desde maio, milhares de trabalhadores das mais diferentes áreas acorreram à região em busca de oportunidades de renda.

Ao vistoriar o local, o Departamento Nacional de Produção Mineral  muito pouco fez para organizar a situação. Informou que uma cooperativa seria formada para regularizar a atividade. Por regularizar entende-se formalizar a cobrança de tributo, mas nada que garanta segurança aos trabalhadores. Uma explosão no domingo (19) resultou na morte de dois garimpeiros.

Confrome o G1 Bahia, o acidente ocorreu porque as vítimas colocaram mais de um explosivo na mina e foram verificar se um deles não tinha sido acionado. Quando entraram na mina, a explosão ocorreu. Em um momento que o Brasil contabiliza entre 13 milhões a 14 milhões de desempregados, impedir a atividade é tiro no pé. O que deveria ser feito é oferecer capacitação - via Pronatec, por exemplo, com apoio de engenheiros e geólogos que permitissem alguma profissionalização. Impedir o trabalho de pais e mães de família gera como consequência a atuação destes de forma clandestina.

Ainda segundo o G1 Bahia, o DNPM afirmou que as vítimas estavam em uma área interditada. A ideia agora é colocar policiamento para evitar o uso de áreas inadequadas e o uso de explosivos. Mas o Estado não existe para somente cobrar imposto e proibir.  Não quero simplesmente culpar o poder público, mas olhar para frente. Já que tramitam no Congresso medidas provisórias que visam organizar a atividade mineral, debater a atuação do DNPM se apresenta como algo importante.

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