PPI: Privatização da Casa da Moeda divide opiniões


Especialistas vêm na medida chance de aumentar a eficiência da empresa e descartam riscos à política monetária, mas defendem que governo deve exigir garantias

Há uma confusão entre a Casa da Moeda - que fábrica o dinheiro -  e o  Banco Central, que decide a política monetária. Essa é a conclusão de economistas consultados pela Agência Brasil, que rebatem o temor de que a privatização da empresa fabricante de notas do Real e de passaportes traga risco de fraudes. Incluída no último pacote do Programa de Parceria de Investimentos, a concessão do serviço é uma das mais controvertidas das 57 propostas apresentadas, junto com a venda do controle acionário da Eletrobras.

"O controle disso (emissão da moeda) não passa pelo capital da empresa, se é um capital estatal ou privado. O fato de ser pública significa que os governos podem mandar emitir moeda? Não", afirmou a professora de Economia do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Margarida Gutierrez.

Para o professor do programa de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Rochlin,  caberá ao governo manter a vigilância. “Sendo o setor privado o produtor, obviamente que o cliente, no caso o estado brasileiro, terá que exigir uma série de garantias de que a operação vai ser absolutamente segura”, disse, completando que é o Banco Central quem decide a quantidade de dinheiro a ser fabricada. “Quem faz política monetária é o Banco Central”.

Contas públicas
Na visão da professora Margarida Gutierrez, a privatização da Casa da Moeda não deve ser vista como forma de equilibrar as contas públicas e para suprir uma necessidade de caixa do governo, mas sim pelo lado da eficiência."A separação entre o estado e as suas empresas públicas no Brasil não existe. Os estados e os governos usam as suas empresas para fazer o que querem. Então, acabam sendo empresas mal gerenciadas, que não perseguem metas, que não buscam eficiência e isso se traduz para a sociedade em serviços de pior qualidade e preços mais altos", disse.

O professor de Economia e Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), no Rio de Janeiro, Ricardo Macedo, afirmou que, em alguns países da América Latina, o dinheiro também é produzido por uma empresa privada. Nos Estados Unidos, a fabricação de dinheiro em papel e das moedas é em empresas diferentes, embora a de moedas metálicas seja pública. " Hoje, com tecnologias que se tem, podemos criar mecanismos que evitam a falsificação com códigos garantidos pelo Banco Central", opinou.

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