EMBARGO UE: Preço do frango pode cair no Brasil

Associação de produtores admite também redução das atividades e demissões. Por considerar que medida da União Europeia esconde interesses comerciais, país pode recorrer à OMC

O embargo da União Europeia ao frango brasileiro poderá tornar o produto mais barato no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A expectativa é que o frango que seria exportado para a Europa seja comercializado no mercado interno, aumentando a oferta e fazendo com que o preço caia, sobretudo nos locais onde estão as unidades de produção proibidas de vender para o bloco. Há, também, a expectativa de

A União Europeia anunciou na quinta-feira (18) que vai descredenciar 20 plantas exportadoras da lista de empresas brasileiras autorizadas a vender carne de frango e outros produtos para os países que compõem o bloco. Ao todo, unidades de nove empresas serão afetadas, de acordo com a ABPA.

"A gente deverá ter um impacto negativo no mercado interno por força de um excesso de oferta, em um primeiro momento. Mas é importante que se diga que essa oferta não será muito grande porque o Brasil já vinha diminuindo as vendas para a Europa", disse o vice-presidente de Mercado da ABPA, Ricardo Santin. As vendas para a UE, no entanto, têm apresentado quedas. Em 2017, o Brasil, de acordo com o governo, exportou 201 mil toneladas para o bloco. Em 2007, chegou a exportar 417 mil toneladas.

O executivo alerta que também tende a haver redução de investimentos e demissões. "Vai haver uma adequação das empresas que não vão produzir se não tiverem mercado", disse.Santin ressalta que, atualmente, os trabalhadores de quatro plantas, sendo 3 três da BRF - dona da Sadia e Perdigão - e uma da Aurora, estão de férias coletivas. "São 5 mil trabalhadores que não estão trabalhando", diz.

OMC

Ainda não há confirmação oficial, mas segundo o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, o Brasil poderá acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC). O dirigente alega que o motivador da medida não foi a questão sanitária alegada, devido a presença da salmonella, mas comercial. O assunto já foi, segundo a pasta, levado ao presidente, Michel Temer, e os estudos para a solicitação do painel junto a OMC estão em andamento.

Santin ressalta que o frango não oferece riscos à saúde e que os brasileiros podem comprá-lo sem preocupação. "O frango é a carne mais consumida no Brasil e a mais barata. Não há nenhum risco nesse caso, trata-se de um problema comercial."

Em declaração à imprensa, Maggi disse que o ministério não fará "socorro ou coisa parecida" às empresas, mas pode interceder junto a entidades financeiras. "Esses frigoríficos têm financiamentos em bancos e coisas parecidas. Nesse aspecto, se for necessário, o ministério pode auxiliar e fazer os contatos necessários para que não entrem em problema muito profundo."

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