FINANÇAS: Vamos aplicar na bolsa?

Mas, estamos em um bom momento para começar a investir na Bolsa? Penso que sim. Os dados mais atuais indicam uma trajetória descendente da inflação, aumentando a possibilidade de queda nos juros e, consequentemente, do rendimento da renda fixa.

Ricardo Villela

O plano Real já se aproxima da maioridade. O temor de que a inflação passe de 6,5% ao ano nos aproxima dos países desenvolvidos e faz com que cada vez mais pessoas se interessem por buscar o melhor investimento para suas suadas economias. Entre as possibilidades, poucos consideram investir em ações.

Mas, estamos em um bom momento para começar a investir na Bolsa? Penso que sim. Os dados mais atuais indicam uma trajetória descendente da inflação, aumentando a possibilidade de queda nos juros e, consequentemente, do rendimento da renda fixa. Para conseguir fazer o dinheiro render algo mais que repor a inflação, será cada vez mais necessário buscar outras possibilidades.

Como dizem os economistas, não existe almoço grátis. Para melhorar o rendimento das aplicações, precisamos estudar mais, dedicar mais tempo para cuidar do nosso capital e aceitar correr mais riscos.  Nessa conjuntura, as ações oferecem muitas vantagens, se revelando uma ótima alternativa.
Petrobras

Mas a bolsa não para de cair.  As notícias dos jornais e revistas especializadas trazem temor para os pensam em começar e ânimo para os experientes. Quem está na Bolsa há vários anos está acostumado ao sobe e desce dos preços e já viu na prática o conselho de Warren Buffett: comprar quando a maioria entra em pânico e vender quando a maioria está eufórica.

Há uma estória famosa em Wall Street que relata que Joseph Kennedy, pai do ex-presidente John Kennedy, foi salvo da quebra de 29 por um engraxate. Ao parar para limpar os sapatos, ouviu do jovem que lhe prestava o serviço como estava ganhando dinheiro com ações. Saiu de lá decidido a vender tudo. Se as ações estão subindo tanto que amadores estão ganhando dinheiro na bolsa, é melhor cair fora. Poucos dias depois, veio a quebradeira geral.

Outro fato que chama a atenção é que o preço de algumas ações está caindo, mas as empresas estão bem. A Petrobras, por exemplo, viu sua ação preferencial cair 13,66% do início do ano até o começo deste mês. Por outro lado, seus balanços só trazem notícias positivas. Ela lucra sozinha mais que os três maiores bancos do país e os dados de produção dos primeiros poços do pré-sal confirmam as previsões otimistas de aumento da produção.

Não há nenhum indício de que os preços internacionais do barril de petróleo vão sofrer redução significativa nos próximos meses. As boas notícias da economia real levam vários analistas a acreditar que, dentro de alguns meses, as ações vão refletir os números positivos do balanço e começar a subir.

Ibovespa

Outro aspecto interessante: os jornais destacam a variação do Ibovespa, o principal índice da nossa bolsa, que é composto por cerca de 60 das mais de 400 empresas listadas na Bovespa. Apesar da queda do índice, algumas empresas oferecem bons resultados. A ação preferencial da TIM Participações, por exemplo, subiu 42,14% desde o início do ano, enquanto o Ibovespa caiu 13,85% no mesmo período.

Outro bicho papão do mercado é a crença de que para ter lucro é necessário ficar o dia todo grudado no computador. A realidade não confirma totalmente esse mito. Uma grande vantagem da bolsa é a flexibilidade. Você pode vender ações cujos preços oscilam muito, esperando recomprá-las no final do dia por um preço mais baixo. Isso pode gerar grandes prejuízos e exige dedicação integral. Ou, no outro extremo, você pode escolher a estratégia conhecida como buy and hold, em português, comprar e segurar.

Periodicamente, compra-se uma pequena quantidade de ações de uma empresa tradicional, sólida e lucrativa, esperando ao longo dos anos acumular uma quantidade de ações que lhe permita viver com a renda dos dividendos. Como você compra sem planos de vender, não precisa nunca olhar a cotação do dia. Basta ver as notícias e analisar seus balancetes trimestrais. Enquanto a empresa continuar sólida e lucrativa, você mantém as ações.

Regra geral, quanto menos tempo você pretender ficar com as ações, mais tempo precisará ficar acompanhando as cotações. Você pode escolher a estratégia mais adequada ao seu perfil. Assim, identificamos mais vantagem que desvantagens no momento atual para quem quer começar a investir em ações. Para os que acham a alternativa muito arriscada, aguardem os próximos capitúlos.

Texto originalmente publicado no site www.artigonal.com em 14 de julho de 2011

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