OPINIÃO - Quando o chefe não é do metier
Quando o líder não confia no segmento de trabalho de seus liderados, não vejo outra saída que não seja a porta da rua, pois a tarefa do gestor é conduzir o grupo à consecução do trabalho, e jamais ser ele mesmo a barreira para a sua concretização.
Por Adriano Villela
Uma das indagações recorrentes no campo da gestão de pessoas ou em debates sobre liderança é a viabilidade (ou não) do chefe de uma equipe de trabalho não ser do ramo. Por exemplo, um não-médico presidir um hospital. Sinceramente, não vejo, a priori, um impeditivo. Quando trabalho como assessor, já tive chefes de outras profissões com experiências positivas e negativas.
Há de se concordar que o presidente da empresa não é um especialista em todas as áreas da organização. Mesmo um médico presidindo um hospital, vai conhecer muito sobre a área fim, mas não sobre gestão financeira, diálogo com os públicos externos do hospital, organização de limpeza, estoque de insumos, etc.
O obrigatório para gestor que não é do setor de atividade onde dirige é saber dialogar profissionalmente. Ele é o líder do processo, e como tal determina as diretrizes e cobra o resultado do trabalho de acordo com as linhas estabelecidas. c Com a descupla do exagero, não se pode cobrar do contador que ele feche um balanço em que ativo e passivo apresentem números diferentes!
Em 2005, fiz uma viagem de uma semana pelo oeste da Bahia com a incubência de ser o líder da equipe de reportagem. Uma das regras que me mantive fiel foi delegar aos motoristas os horários para acordar e iniciar as viagens. Embora tenha habilitação, só sei tenho costume de dirigir para mim. São os profissionais da área que sabem quantas horas precisam dormir para poder trabalhar bem e quanto tempo precisam para cada deslocamento, principalmente levando em conta a qualidade de nossas estradas.
Claro que, quando percebi alguma tentativa de não fazer o trabalho, tive que ser mais incisivo. Havia tarefas a serem concluídas - e foram. O diálogo não impediu a realização do trabalho, justamente por que foi baseado nas necessidades de cada segmento (foto, TV, entrevistas e texto e transporte). O que não pode, quando o chefe é um forasteiro, é você se colocar como adversário de sua equipe, considerando o trabalho dela desnecessário porque você - senhor supremo - tem sempre a razão.
Quando o líder não confia no segmento de trabalho de seus liderados, não vejo outra saída que não seja a porta da rua, pois a tarefa do gestor é conduzir o grupo à consecução do trabalho, e jamais ser ele mesmo a barreira para a sua concretização. Trata-se de um pecado mortal para a organização na qual a equipe está incluída.
Texto originalmente publicado no site www.artigona.com em 29 de dezembro de 2009
Por Adriano Villela
Uma das indagações recorrentes no campo da gestão de pessoas ou em debates sobre liderança é a viabilidade (ou não) do chefe de uma equipe de trabalho não ser do ramo. Por exemplo, um não-médico presidir um hospital. Sinceramente, não vejo, a priori, um impeditivo. Quando trabalho como assessor, já tive chefes de outras profissões com experiências positivas e negativas.
Há de se concordar que o presidente da empresa não é um especialista em todas as áreas da organização. Mesmo um médico presidindo um hospital, vai conhecer muito sobre a área fim, mas não sobre gestão financeira, diálogo com os públicos externos do hospital, organização de limpeza, estoque de insumos, etc.
O obrigatório para gestor que não é do setor de atividade onde dirige é saber dialogar profissionalmente. Ele é o líder do processo, e como tal determina as diretrizes e cobra o resultado do trabalho de acordo com as linhas estabelecidas. c Com a descupla do exagero, não se pode cobrar do contador que ele feche um balanço em que ativo e passivo apresentem números diferentes!
Em 2005, fiz uma viagem de uma semana pelo oeste da Bahia com a incubência de ser o líder da equipe de reportagem. Uma das regras que me mantive fiel foi delegar aos motoristas os horários para acordar e iniciar as viagens. Embora tenha habilitação, só sei tenho costume de dirigir para mim. São os profissionais da área que sabem quantas horas precisam dormir para poder trabalhar bem e quanto tempo precisam para cada deslocamento, principalmente levando em conta a qualidade de nossas estradas.
Claro que, quando percebi alguma tentativa de não fazer o trabalho, tive que ser mais incisivo. Havia tarefas a serem concluídas - e foram. O diálogo não impediu a realização do trabalho, justamente por que foi baseado nas necessidades de cada segmento (foto, TV, entrevistas e texto e transporte). O que não pode, quando o chefe é um forasteiro, é você se colocar como adversário de sua equipe, considerando o trabalho dela desnecessário porque você - senhor supremo - tem sempre a razão.
Quando o líder não confia no segmento de trabalho de seus liderados, não vejo outra saída que não seja a porta da rua, pois a tarefa do gestor é conduzir o grupo à consecução do trabalho, e jamais ser ele mesmo a barreira para a sua concretização. Trata-se de um pecado mortal para a organização na qual a equipe está incluída.
Texto originalmente publicado no site www.artigona.com em 29 de dezembro de 2009
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