NOTÍCIA: Obstetras denunciam caos em maternidades
De acordo com Sales, o Ministério da Saúde identifica a falta de vagas como principal causa da morte fetal. Por não concordar com o quadro de parturientes acomodadas em macas devido a ausência de leitos, Sales lançou mão das redes sociais para tornarem públicas as dificuldades que ele e seus colegas enfrentam na rotina de maternidades baianas
Por Adriano Villela
Somente este ano, cinco fetos morreram em decorrência da peregrinação de gestantes por falta de vagas nas maternidades baianas – Tsylla Balbino, Albert Sabin (dois em cada uma) e em Feira de Santana. Os óbitos aconteceram num intervalo de 45 dias. A causa do problema é, principalmente, a falta de vagas, segundo o obstetra Peterson Ferraz Sales.
De acordo com Sales, o Ministério da Saúde identifica a falta de vagas como principal causa da morte fetal. Por não concordar com o quadro de parturientes acomodadas em macas devido a ausência de leitos, Sales lançou mão das redes sociais para tornarem públicas as dificuldades que ele e seus colegas enfrentam na rotina de maternidades baianas, como no dia 26 de fevereiro, quando, relata ele, encontrou o Hospital Roberto Santos sem luz ao chegar para trabalhar.
No começo do mês, o médico criou no Facebook o grupo Rosa (Reunião de Obstetras de Salvador). Aberta, a comunidade foi iniciada com cerca de 30 médicos e já conta com 213. “Plantão caótico na Maternidade Albert Sabin.. Sem vagas, sem auxiliar de enfermagem, muito trabalho, pouca compreensão da população! Aonde vamos parar? Médicos estão sendo agredidos por falta de vagas!! Acabamos de ser ameaçadas por uma acompanhante. Como trabalhar assim? Cansada disso tudo!! Estamos com medo!!”, afirmou a médica Priscila Bloisi, uma das integrantes do Rosa.
A deficiência de vagas na Bahia, continua Peterson Ferraz Sales, está relacionada ao fechamento de maternidades – nos hospitais Ana Néri e Manoel Vitorino – e a abertura de vagas em outras unidades aquém do que demanda a população baiana.
“Todas as maternidades estão vivendo os problemas enfrentados por nós, do HRS, principalmente a superlotação. Se você for agora, não tem uma sala (disponível) para fazer parto, estão todas ocupadas por récem-nascidos. As pacientes que terminaram de fazer cesariana estão numa maca dura de transporte”, disse ele, em entrevista ao Sindicato dos Médicos (Sindimed).
O médico acrescenta que no Roberto Santos “há alguns anos eram quatro obstetras por plantão. Hoje não é incomum o dia em que apenas dois obstetras estão de plantão”. O quadro, completou, afeta as condições de trabalho e a própria saúde dos profissionais médicos.”Meus colegas estão ficando doentes, largando a obstetrícia, enfartando, como o caso de uma colega que infartou na maternidade do Pau Miúdo e foi internada na UTI”.
Matéria produzida originalmente para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 21 de março, na página 8.
Por Adriano Villela
Somente este ano, cinco fetos morreram em decorrência da peregrinação de gestantes por falta de vagas nas maternidades baianas – Tsylla Balbino, Albert Sabin (dois em cada uma) e em Feira de Santana. Os óbitos aconteceram num intervalo de 45 dias. A causa do problema é, principalmente, a falta de vagas, segundo o obstetra Peterson Ferraz Sales.
De acordo com Sales, o Ministério da Saúde identifica a falta de vagas como principal causa da morte fetal. Por não concordar com o quadro de parturientes acomodadas em macas devido a ausência de leitos, Sales lançou mão das redes sociais para tornarem públicas as dificuldades que ele e seus colegas enfrentam na rotina de maternidades baianas, como no dia 26 de fevereiro, quando, relata ele, encontrou o Hospital Roberto Santos sem luz ao chegar para trabalhar.
No começo do mês, o médico criou no Facebook o grupo Rosa (Reunião de Obstetras de Salvador). Aberta, a comunidade foi iniciada com cerca de 30 médicos e já conta com 213. “Plantão caótico na Maternidade Albert Sabin.. Sem vagas, sem auxiliar de enfermagem, muito trabalho, pouca compreensão da população! Aonde vamos parar? Médicos estão sendo agredidos por falta de vagas!! Acabamos de ser ameaçadas por uma acompanhante. Como trabalhar assim? Cansada disso tudo!! Estamos com medo!!”, afirmou a médica Priscila Bloisi, uma das integrantes do Rosa.
A deficiência de vagas na Bahia, continua Peterson Ferraz Sales, está relacionada ao fechamento de maternidades – nos hospitais Ana Néri e Manoel Vitorino – e a abertura de vagas em outras unidades aquém do que demanda a população baiana.
“Todas as maternidades estão vivendo os problemas enfrentados por nós, do HRS, principalmente a superlotação. Se você for agora, não tem uma sala (disponível) para fazer parto, estão todas ocupadas por récem-nascidos. As pacientes que terminaram de fazer cesariana estão numa maca dura de transporte”, disse ele, em entrevista ao Sindicato dos Médicos (Sindimed).
O médico acrescenta que no Roberto Santos “há alguns anos eram quatro obstetras por plantão. Hoje não é incomum o dia em que apenas dois obstetras estão de plantão”. O quadro, completou, afeta as condições de trabalho e a própria saúde dos profissionais médicos.”Meus colegas estão ficando doentes, largando a obstetrícia, enfartando, como o caso de uma colega que infartou na maternidade do Pau Miúdo e foi internada na UTI”.
Matéria produzida originalmente para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 21 de março, na página 8.
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