OPINIÃO: Seu cliente pode estar no Canadá

"o passarinho do twitter cantou forte foi nas contas criadas por militantes e entidades da sociedade civil. No bate-papo entre apoiadores a campanha na internet incendiou."

Por Adriano Villela

Grande parte dos internautas brasileiros conhecem o caso da Luiza, que estava no Canadá, já voltou e até deu um pulo no Carnaval de Salvador. Então respondam rápido: sobre o que era a propaganda na qual seu pai, publicitário conhecido pela Paraíba. Pouquíssimos sabem, inclusive eu, até porque essa informação é irrelevante. O digno de nota neste caso é que a estudante paraibana virou celebridade num comercial que mirava divulgar outra coisa. Ela não é fruto de um marketing estudando, planejado e detalhadamente implementado. Mas também não resulta de um acaso, tão somente.
Luiza é consequência da realidade comunicacional empreendida na internet. Na era virtual, como bem desenvolve a professora da USP Carolina Frazon Terra, o usuário é igualmente mídia. Muitos "entendidos" interpretam ou dão a entender que encaram isso como uma forma diferente das pessoas reagirem aos enunciados das empresas. Errado!
O usuário-mídia é tão ou mais produtor de conteúdo do que qualquer organização empresarial. Ele não responde às empresas, mas está construindo seu próprio conteúdo. Estamos na era do coloquial, do informal, do espontâneo. Dai o sucesso da Luiza "canadense". A frase, completamente despretensiosa, caiu no gosto da internet como uma paida, uma pegadinha para se dizer entre amigos.
Entre 2010 e 2011, fiz uma pesquisa sobre o aproveitamento do twitter por organizações baianas. Percebi que, em geral, busca-se alimentá-lo com conteúdo mercadológico, às vezes tentando um mal disfarçado relacionamento com os usuários. O pano caia quando se percebia uma resistência, e não estímulo à colaboração do leitor. Ampliando o foco: quais jornais baianos abrem espaço para comentários nas notícias? E entre os blogs mais procurados, quantos publicam opiniões dos leitores.
Estamos na contramão. Hoje, o leitor das ferramentas virtuais está a todo momento criando a sua comunicação e interagindo com o que os outros falam à medida que se aproximem do que cada um pensa. O canal hoje é conseguir que terceiros comentem nossas marcas, e não jogar um sem número de mensagens acreditam que o leitor vai notar. Esta é a comunicação tradicional.
Desde os blogs que empresas mais antenadas contavam blogueiros para que estes comentem seus produtos. Nas redes sociais, isso só aumentou. Obama bombou neste terreno nas eleições de 2008 não porque seu blog de campanha ou perfis no twitter e facebook fossem extraordinários. Acumulava um bom número de usuários, mas só teve impacto decisivo porque o atual presidente dos EUA montou uma equipe para responder ao que os cidadãos comuns falavam. Entraram nas conversas que surgiam naturalmente.
No Brasil, o tucano José Serra tinha 1,5 milhão de usuários quando a então pré-candidata Dilma Rousseff criou sua própria conta. A dianteira nada influenciou, porque o passarinho do twitter cantou forte foi nas contas criadas por militantes e entidades da sociedade civil. No bate-papo entre apoiadores a campanha na internet incendiou.
Lembrem-se: quando for dialogar com seus públicos na internet, preocupe-se primeiro em firmar o contato com o usuário. Se você fala de política para quem quer debater o futebol, qualquer coisa que você post vai ser jogo de soma zero. Você fala para o Brasil, mas quem iria ouvir está no Canadá.

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