NOTÍCIAS: Sesab rebate denúncias de médicos e apura mortes

José Walter contestou a informação do criador do Rosa, Peterson Ferraz, segundo quem antigamente comum eram quatro obstetras por plantão e hoje é comum apenas dois estarem presentes. “Trabalhamos para termos no mínimo três obstetras por plantão 



Adriano Villela 

 “A Secretaria da Saúde está tomando providências para resolver os problemas, seja de ordem médica, seja de assistência à saúde (enfermeiro, técnico de enfermagem)”. A garantia é do diretor da Rede Própria da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab),  José Walter dos Santos Júnior.

O comentário é uma resposta à denúncias de médicos da rede estadual reclamando das condições de trabalho, publicadas ontem pela Tribuna na matéria “Obstetras denunciam caos em maternidades”. José Walter, como é mais chamado, frisou ainda que existem investimentos na aquisição de fotométricos, respiradores e incubadoras.


Segundo o diretor da Sesab, não procede a informação veiculada no grupo de discussão Reunião de Obstetra de Salvador (Rosa) sobre escassez de médico. O que estaria havendo é um aumento na demanda neste começo do ano. No ano passado, entre janeiro e novembro, a equipe de obstetras realizou 15.280 partos normais e 3.152 cesárias sem problemas.

Todos eles foram realizados pelo SUS. José Walter rebateu a avaliação do médico Peterson Ferraz Sales, fundador do grupo Rosa de que fechamento de unidades causaria a superlotação das maternidades. “A do Ana Nery não funciona há 20 anos”, disse.

Sobre as mortes de cinco fetos no começo deste ano – dois na Tsylla Balbino, dois na Albert Sabin e uma em Feira de Santana -, o diretor destacou que em todos os casos foram abertas sindicâncias para apurar as causas destas ocorrências e estas investigações – sigilosas – foram enviadas ao Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb). “Na Tsylla, foi aberta a sindicância e a secretaria também apurou. Os relatórios foram enviados ao conselho, que é quem avalia se houve algum erro”.

José Walter contestou a informação do criador do Rosa, Peterson Ferraz, segundo quem antigamente comum eram quatro obstetras por plantão e hoje é comum apenas dois estarem presentes. “Trabalhamos para termos no mínimo três obstetras por plantão. Às vezes, numa doença, um pode faltar, mas fazemos o esforço para que se tenha pelo menos três plantonistas”, afiançou. O diretor reconhece que há problemas, mas a secretaria procura resolvê-los. A cobertura da mídia também é avaliada.

Para o representante da Sesab, os picos de demanda, a vinda de pacientes do interior e dificuldades no pré-natal são algumas das principais dificuldades no trabalho das maternidades. “Temos poucas UTI neonatais, não só na rede pública”, lamenta. José Walter Santos Júnior aposta na ampliação da atuação do projeto Rede Cegonha, que viabiliza consultas de pré-natal, exames laboratoriais e de ultrassonografia. “(a Sesab) vai trabalhar para implantar em todas as maternidades o Sistema de Classificação de Risco”, completou.

Ontem, os médicos membros do Rosa continuaram a enviar relatos em resposta à pergunta inicial da reportagem. “Dei plantão durante o fim de semana, e foi a mesma coisa. Chegando diversas gestantes, parindo e ficando com seus bebes no colo, em macas pelo corredor”, afirmou a médica Adriana Monteiro.

Já segundo Fátima Lasogga, de Feira de Santana, “chegam as ambulâncias dos municípios e deixam gestantes de alto risco e vão embora. Ai o prematuro tem que nascer no improviso de centro obstétrico, pois a UTI neonatal esta lotada”.

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