OPINIÃO: Rio 2016 – Partidas E Chegadas

Ganhamos apenas o direito de tentar. É mais do que já conseguimos em qualquer outra Olimpíada, mais ainda é pouco.

Por Ricardo Villela

O país entrou em estado de festa na semana passada: o COI confirmou que a Olimpíada de 2016 será realizada no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro. Muito já se falou sobre isso, sob vários pontos de vista. Deixo aqui minha contribuição. Após a euforia inicial, é bom lembrarmos logo que não ganhamos a guerra.

Vencemos apenas a primeira batalha. Até chegarmos a um dia distante em 2016 quando, entre maravilhados e emocionados, assistiremos a mais bonita, original e marcante - e nem por isso mais cara - festa de encerramento de uma Olimpíada, com a certeza do dever cumprido e uma quantidade de medalhas nunca vista antes na história deste país (como diria o presidente Lula), precisamos passar por diversas etapas de muito trabalho, planejamento, organização, investimento de uma montanha de dinheiro e muito mais.

Ganhamos apenas o direito de tentar. É mais do que já conseguimos em qualquer outra Olimpíada, mais ainda é pouco. O mais difícil ainda está por vir. Iniciado o trabalho, não podemos esquecer do cuidado com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Será necessário investir uma soma considerável de recursos públicos. Cada centavo aplicado deve ser demonstrado claramente. Precisamos brigar pela maior transparência possível.
Outro ponto que considero importante é o desempenho esportivo. Para fazer uma boa Olimpíada não é necessário ganhar uma só medalha. Porém, não podemos perder essa chance de alavancar o esporte nacional e usufruir na educação, na saúde, na segurança pública, em diversas áreas de todos os benefícios que podem ser proporcionados pela conquista da Olimpíada. Sete anos são tempo suficiente para muita coisa.
Este é um benefício que pode refletir em todo o país. Precisamos garantir estrutura para a prática dos mais diferentes tipos de esporte, no maior número possível de cidades e, a partir do esforço inicial, ir selecionando aqueles que se destacarem para um investimento mais específico. Já estamos classificados para todas as modalidades. Basta formar os atletas.
Não posso deixar de mencionar a parte econômica. Fala-se em investimentos na ordem de R$ 25 bilhões. Parte desse bolo irá para construturas, fábricas de cimento e siderúrgicas. Outra parte se destinará a micros, pequenas e médias empresas de diversos setores e de todo o país. Muitas oportunidades surgirão. Quem já tem ou pretende começar seu negócio precisa ficar atento ao processo, identificar seu nicho e sair na frente.
Por fim, devemos pensar em 2017. Não devemos nos conformar com a Olimpíada Chico Buarque (tudo voltou a seu lugar depois que a olimpíada passou). A estrutura esportiva, a mobilidade urbana, a divulgação internacional de outras atrações turísticas, enfim, tudo o que for conquistado até o final dos jogos precisa ter proveito futuro. É necessário planejar ações que permitam transformar em permanentes os benefícios que forem conquistados ao longo do processo. Só assim poderemos recuperar todo o investimento e fazer valer essa oportunidade úncia que ganhamos para levar o país a outro estágio de desenvolvimento.

Texto publicado originalmente no site www.artigonal.com em 10 de outubro de 2009

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