RESENHA Polêmica por vocação
O autor defende que o filme franco-ítalo-brasileiro Orfeu Negro - baseado numa peça do poeta Vinícius de Moraes - foi decisivo no relacionamento da mãe de Obama, Stanley Ann. Dunham com Barack Hussein Obama Senior. Tese esta difícil de ser entendida sem uma boa dose de romantismo
Adriano Villela
Ficar neutro durante a leitura de Se Não Fosse o Brasil, Jamais Barack Obama Teria Nascido, de Fernando Jorge, é tarefa das mais difíceis, impossível para alguns. Com base numa semelhança física entre o ator Breno Melo e o pai do mandatário dos EUA, o autor defende que o filme franco-ítalo-brasileiro Orfeu Negro - baseado numa peça do poeta Vinícius de Moraes - foi decisivo no relacionamento da mãe de Obama, Stanley Ann. Dunham com Barack Hussein Obama Senior. Tese esta difícil de ser entendida sem uma boa dose de romantismo.
Mas não é só isso. Polemista por ofício e vocação, Fernando Jorge defende que o ex-presidente brasileiro Tancredo Neves – morto após crise de diverticulite, que o levou ao hospital um dia antes da posse, em 1985 – foi na realidade assassinado por envenenamento e o atual gestor dos Estados Unidos copia experiências do governo brasileiro.
No tema central do livro, ele se sustenta em depoimentos de Barack Hussein Obama II, segundo o qual a mãe era marcadamente romântica, da própria Stanley Ann e do nosso ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo mantinha boas relações com o de Obama II. “... se não fosse o nosso país, se não fosse o poeta brasileiro Vinícius de Moraes; se não fosse a peça Orfeu da Conceição, de autoria de Vinícius; se não fosse o filme Orfeu Negro, inspirado neste filme, jamais Barack Obama teria nascido” ( página 161), sentencia ele no livro, repetindo este argumento em vários momentos do livro.
Como o próprio autor insinua, ao alegar um princípio jurídico de que provado o início e o fim, o meio fica também confirmado, o que falta ao livro são evidências mais comprobatórios de que a mãe do presidente norte-americano se apaixonou pelo queniano Obama Senior em virtude do filme. Jornalista, Fernando Jorge produz artigos e livros tendo a polêmica como principal característica.
Em Se não fosse o Brasil ..., um ponto forte é a descrição sobre o racismo nos Estados Unidos, descrevendo uma série de violências perpetrada contra o negro na história norte-americana. “Esse ódio contra os negros, constatado pessoalmente por (pelo jornalista) Arnaldo Jabor nos Estados Unidos, apresenta raízes profundas, não se evaporou logo depois da eleição de Barack Obama” (p.187).
Editado pela Novo Século Editora, Se não Fosse o Brasil tem 241 páginas. A redação é objetiva, mas contém erros de revisão que devem ser suprimidos em novas edições, como um “f” a menos no nome da presidente Dilma Rousseff e um “e” inexistente no do ex-industriário dos EUA Henry Ford.
Crítica produzida originalmente para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 21 de maio, página 17.
Adriano Villela
Ficar neutro durante a leitura de Se Não Fosse o Brasil, Jamais Barack Obama Teria Nascido, de Fernando Jorge, é tarefa das mais difíceis, impossível para alguns. Com base numa semelhança física entre o ator Breno Melo e o pai do mandatário dos EUA, o autor defende que o filme franco-ítalo-brasileiro Orfeu Negro - baseado numa peça do poeta Vinícius de Moraes - foi decisivo no relacionamento da mãe de Obama, Stanley Ann. Dunham com Barack Hussein Obama Senior. Tese esta difícil de ser entendida sem uma boa dose de romantismo.
Mas não é só isso. Polemista por ofício e vocação, Fernando Jorge defende que o ex-presidente brasileiro Tancredo Neves – morto após crise de diverticulite, que o levou ao hospital um dia antes da posse, em 1985 – foi na realidade assassinado por envenenamento e o atual gestor dos Estados Unidos copia experiências do governo brasileiro.
No tema central do livro, ele se sustenta em depoimentos de Barack Hussein Obama II, segundo o qual a mãe era marcadamente romântica, da própria Stanley Ann e do nosso ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo mantinha boas relações com o de Obama II. “... se não fosse o nosso país, se não fosse o poeta brasileiro Vinícius de Moraes; se não fosse a peça Orfeu da Conceição, de autoria de Vinícius; se não fosse o filme Orfeu Negro, inspirado neste filme, jamais Barack Obama teria nascido” ( página 161), sentencia ele no livro, repetindo este argumento em vários momentos do livro.
Como o próprio autor insinua, ao alegar um princípio jurídico de que provado o início e o fim, o meio fica também confirmado, o que falta ao livro são evidências mais comprobatórios de que a mãe do presidente norte-americano se apaixonou pelo queniano Obama Senior em virtude do filme. Jornalista, Fernando Jorge produz artigos e livros tendo a polêmica como principal característica.
Em Se não fosse o Brasil ..., um ponto forte é a descrição sobre o racismo nos Estados Unidos, descrevendo uma série de violências perpetrada contra o negro na história norte-americana. “Esse ódio contra os negros, constatado pessoalmente por (pelo jornalista) Arnaldo Jabor nos Estados Unidos, apresenta raízes profundas, não se evaporou logo depois da eleição de Barack Obama” (p.187).
Editado pela Novo Século Editora, Se não Fosse o Brasil tem 241 páginas. A redação é objetiva, mas contém erros de revisão que devem ser suprimidos em novas edições, como um “f” a menos no nome da presidente Dilma Rousseff e um “e” inexistente no do ex-industriário dos EUA Henry Ford.
Crítica produzida originalmente para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 21 de maio, página 17.
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