NOTÍCIA: Economistas preocupados com endividamento


Na avaliação do economista, os juros menores tanto podem reduzir a inadimplência, com o encargo menor facilitando a solução dos problemas pelos endividados, como aumentar o nível de débitos em razão de uma procura pelo crédito acima da capacidade de pagamento, o que Magalhães considera mais provável.

Adriano Villela

O endividamento das famílias brasileiras - processo que voltou a ser constatado em pesquisa do IBGE, conforme divulgou manchete da Tribuna, na edição de ontem -  preocupa economistas baianos. Um dos riscos é que a dificuldade no pagamento dos compromissos afete os desdobramentos da política do governo federal, fazendo com que a redução dos juros nos últimos meses aumente o endividamento e inadimplência, ao invés de fomentar o consumo. É uma realidade possível para membro do Conselho Regional de Economia, Carlos Augusto Magalhães.

Na avaliação do economista, os juros menores tanto podem reduzir a inadimplência, com o encargo menor facilitando a solução dos problemas pelos endividados, como aumentar o nível de débitos em razão de uma procura pelo crédito acima da capacidade de pagamento, o que Magalhães considera mais provável. “Acredito que a inadimplência vai aumentar, pela tradição do nosso povo. Nosso povo compra (até) fiado. Não pode ver dinheiro pela frente”, argumenta, acrescentando que na média, tem sobrado pouco do salário do brasileiro após quitadas as suas necessidades básicas e os compromissos com financiamento.

Na Pesquisa de Orçamento das Famílias (POF), o IBGE aponta a existência no país de 14 milhões de famílias endividadas,  quase um quarto do total mais de 30% do orçamento com o pagamento de dívidas e financiamentos. Destas 5,8 milhões são da classe C e 6,6 milhões estão nas classes D e E.

Professor de Administração Financeira, o economista Isaías Matos de Santana teme que a política brasileira possa estar “jogando gasolina no fogo”, mas está convicto de que o consumo não será inibido. “Mesmo com o endividamento alto, no momento não há risco de o consumo cair. O governo sabe do endividamento e vai continuar estimulando o consumo, mesmo que o efeito colateral seja mais endividamento. Pode ter certeza.

Daqui a seis meses o endividamento estará maior”, prevê. Para o docente, embora por princípio econômico as famílias com dívidas tendam a reduzir despesas, o brasileiro não tem o hábito da educação financeira, estando mais propenso a continuar comprando,  O conselheiro federal de Economia, Paulo Dantas Costa avalia o problema da inadimplência como concreto, mas  pontua que o governo ainda tem brecha para aumentar o consumo.

”O fortalecimento da classe média, a nova Classe C, deve ser considerado. É quase metade da população. São pessoas que chegam com ampla capacidade de consumo e de crédito”, ressaltou.  Paulo Dantas entende que o problema está na falta de preparo das pessoas para tanta disponibilidade de financiamentos.

O cartão de crédito, modalidade que não reduziu os juros na virada de abril para este mês, mereceria, a seu ver, outro tratamento dos consumidores (quando não pagam o valor total da fatura e financiam o dinheiro mais caro do mercado) e do governo. “Os juros não poderiam ser maiores do que 3% ao mês e são de 10%”, assinala.

“Quando você pergunta às administradoras o porque dos juros tão altos, elas dizem que são desprotegidas de garantias. Então façam um cadastro maior. As autoridades precisam exigir que as administradoras reduzam os juros para níveis civilizados”.

Matéria produzida originalmente para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 29 de maio, na página 6

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