OPINIÃO: Bahea requer de "choque de gestão"

O tricolor não precisa de dois elencos diferentes, para o estadual e o nacional, mas de duas maneiras de jogar adequadas a cada missão. Tal qual o paradoxo concebido por Charles Handy, o Brasileiro para o Bahia não é bom, nem ruim. O que se precisa é aprender a lidar com ele.
Adriano Villela

Primeiramente, por questão de elegância, devo admitir: o Grêmio foi superior nos dois jogos contra o Bahea. Criou mais, defendeu-se de forma mais eficiente, esteve mais disciplinado e diligente na busca do gol. Em seguida, devo confessar a ironia para evitar equívocos. Em toda eleição, candidatos de oposição (seja ela de que campo for) defende um programa com "choque de gestão" sem definir exatamente o que é isso, que áreas serão priorizadas, o que muda no orçamento, impostos, folha salarial, etc. Agora, pseudo especialistas pregam que o Bahea precisa contratar, ou seja, defende um choque de gestão no elenco.

Contratar quem? Para quais posições? Com que perfil? Sem adentrar neste detalhamento, falar em planejamento é tão irônico quanto o meu título. A simples inclusão de novos jogadores não funcionará se velhos problemas persistirem. Lógico que não se deve fechar o elenco. Todos os times aproveitam a janela de transferência para se qualificar, mas o critério é necessário.

O Bahea, desde a saída de Paulo Miranda, peca lá atrás. Rafael Donato é tudo, menos zagueiro. Talvez primeiro ou segundo homem de meio campo.Penso que quatro ou cinco nomes seria a quantidade ideal, sob pena de inchar o elenco e até o entrosamento herdado do baianão se perder  caso o famoso caminhão de jogadores chege. Repito o meu mantra: o Bahea voltou à Série A e a ser
campeão baiano com revelações na base atuando. O aeroporto nem sempre é a melhor saída.

Claro que, considerando, os jogos contra a equipe gaúcha mais de cinco atletas produziram abaixo do necessário para um campeonato brasileiro. Mas o simples trazer caras novas não é o antídoto para todos os casos. Helder, Lulinha, Magno e Fahel são alguns que já renderam melhor em outros momentos, como no brasileiro passado. A queda de rendimento destes tem mais a ver com questões físicas, táticas e psicológicas para as quais  novos jogadores pouco vão ter que acrescentar. A mim me parece que falta treinamento, em meio a tantas partidas. O próprio Gabriel, com a sequência de jogos, às vezes cria pouco.

Falta, certamente, postura tática. Não me refiro a 4-4-2, 3-5-2, 4-3-1-2 e outras numerologias, mas à dinâmica da equipe durante as partidas. Ontem, levou dois gols de erros de posicionamento, em que os defensores escolheram a faixa onde iam jogar e ficaram assistindo. O Bahea não marcou, não reduziu espaços, não desarmou, não disputou a bola. Rebote então, só em sonhos. Ficou a esperar erros do adversário que não aconteceram. O tricolor não precisa de dois elencos diferentes, para o estadual e o nacional, mas de duas maneiras de jogar adequadas a cada missão. Tal qual o paradoxo concebido por Charles Handy, o Brasileiro para o Bahia não é bom, nem ruim. O que se precisa é aprender a lidar com ele.

Se a sequência de jogos é cansativa, um rodízio de jogadores poderia ajudar, trocando de um a três por partida. Danny Morais, por exemplo, jogaria no lugar de Titi ou Rafael Donato em alguns partidas. Rafael já deveria ter entrado antes, em partidas que Júnior e Ciro, simultaneamente, não se apresentaram bem. Filipe, na seleção Sub-20, pode reforçar a marcação no meio, que conta apenas com jogadores que defendem e atacam, o que fragiliza lá atrás em jogos contra times com bons ataques. O garoto Fábio é uma opção já existente nos casos em que Lulinha e Vander se apresentam de forma apática.Com relação a Zé Roberto e Ciro ..., bem estes não vejo futuro no Fazendão. O aeroporto pode ser uma boa solução para eles. 

Ai entramos num paradoxo: se Falcão parece focado no grupo atual, aproveitando pouco as alternativas disponíveis - o boliviano não é aproveitado, nem Wilham Matheus, lateral de bom rendimento no começo do ano - para quê trazer mais jogadores? Melhor é recuperar os contudidos - teve foi jogador frequentando o DM - e promover uma intertemporada com aqueles que jogaram mais partidas.

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