NOTÍCIA: Sobe e desce da moeda traz mais prejuízo do que ganhos


“A variação não é boa para ninguém. Ela gera uma incerteza que afeta a todos, direta ou indiretamente”, afirma o professor de Economia Isaías Matos, também  diretor  Administrativo-Financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e professor de uma faculdade em Jequié.

Adriano Villela

 O dólar ultrapassou a marca de R$ 2, um crescimento de 17,6% em relação a 1º de março, quando valia R$ 1,69. Os fatores desta valorização da moeda americana devem perdurar, pois a oscilação tem ligação direta com a não reeleição do presidente francês Nicolas Sarkozy, o fracasso de três tentativas de formar um governo de coalizão na Grécia e a derrota nas eleições legislativas da presidente alemã, Angela Merkel.  Em todo o mundo, com as incertezas políticas, investidores procuram ativos considerados mais sólidos, status que o dólar mantém no mercado internacional.

Internamente, aplicadores que apostaram em fundos atrelados às taxas de juros migraram para investimentos ligados ao dólar.Somente na semana passada, o real se desvalorizou frente a esta divisa em  R$ 1,56%. O problema é que a variação tende a trazer mais perdas do que ganho.De forma direta, ganham os exportadores e perdem importadores, quem viajou ao exterior e toda a economia, com o risco de afetar a inflação – mais caros, importados parte de sua capacidade para controlar preços.

“A variação não é boa para ninguém. Ela gera uma incerteza que afeta a todos, direta ou indiretamente”, afirma o professor de Economia Isaías Matos, também  diretor  Administrativo-Financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e professor de uma faculdade em Jequié. No Brasil, o movimento sobe-desce de março-maio lembra a experiência do ano passado, quando oscilou de R$ 1,53 a R$ 1,9 entre julho e setembro.

O próprio Matos foi vítima desta oscilação. Em agosto do ano passado, fez gastos em dólar com o cartão, quando a cotação estava em R$ 1,75. No dia do pagamento da fatura, a moeda americana valia R$ 1,85. Suas despesas tiveram um incremento de 5,7% sem ele incorrer em qualquer cobrança de juros ou comprar nenhum item a mais. Ontem, como reflexo das turbulências da alta do câmbio no mercado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo federal não vai mexer no câmbio.

“O dólar é flutuante, ele vai flutuar de acordo com o mercado”, disse à Agência Brasil. Mantega preferiu olhar a valorização da moeda norte-americana pela ótica das exportações. “O dólar alto beneficia a economia brasileira, porque dá mais competitividade para os produtos. Significa que a indústria brasileira pode competir melhor com os produtos importados, que ficam mais caros, e pode exportar mais barato, portanto, não preocupa.”

Matéria produzida originalmente para a Tribuna da Bahia, publicada na edição de 15 de maio, na página 6 (editoria de Economia)

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