OPINIÃO: Fiol a um passo da paralisia total. E agora?
Se for necessário envolver o Estado ou criar uma mesa de negociação com TCU e Ibama, que se promova isso. O que não pode é deixar tudo para depois e resolver no afogadilho, a base de relicitações e aditivos contratuais. Ou virar a novela do metrô. Ai não tem corte de contas que aguente.
Adriano Villela
Ouvi falar do projeto da Ferrovia da Integração Oeste Leste em meados da década passada, quando ainda tinha o nome de Ferrovia Lese Oeste. Passados entre cinco e 10 anos da retomada do projeto, que data do início do Século XX, me espanto cada vez que vejo ou produzo matéria sobre a obra. Hoje, vi pelo site UOL que o Tribuna de Contas da União vai pedir a paralisação da obra. Não me surpreende. Em 18 meses, essa construção alcançou apenas 5% dos trabalhos.
E não me venham com esse papo de ideologizar tudo, taxar de PIG, entre outras coisas. Gestor, de qualquer partido, deve ter compromisso de realizar os projetos que encampa. O TCU alega indefinição quanto ao Porto Sul, onde a via férrea terá fim (no bom sentido). Tem razão, e poderia alegar muitas meia dúzia de argumentos. O traçado original afeta cavernas em três dos oito trechos. A oitava etapa foi incluída porque, de início, nem previam uma ponte para a travessia no Rio São Francisco, que divide a Bahia em duas bandas. Qualquer ligação oeste leste passa pelo Velho Chico, oras.
Ademais, as condicionantes ambientais não vem sendo cumpridas. O Ibama busca uma negociação, mas nunca a parte da Valec - órgão federal responsável pelo projeto - atende ao que se compromete a fazer. Até o secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia, e o governador Jaques Wagner reclamaram de público contra a lentidão das iniciativas. Igualmente cobertos de razão.
Falando como administrador, formação que possuo ao lado da graduação em Jornalismo, recomendo a quem interessar possa uma programação de implantação da proposta. Idealizar grandes ações é fácil, fazer acontecer é o que diferenciador. E, para qualquer obra pública deslanchar, é necessário gestor atuante também. Urge listar cada um dos problemas, nomear aqueles responsáveis pela solução, identificar o que é preciso deliberar e monitorar o andamento, cobrar de cada um suas funções.
Se for necessário envolver o Estado ou criar uma mesa de negociação com TCU e Ibama, que se promova isso. O que não pode é deixar tudo para depois e resolver no afogadilho, a base de relicitações e aditivos contratuais. Ou virar a novela do metrô. Ai não tem corte de contas que aguente.
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