OPINIÃO: Cartas na mesa, jogo começa indefinido

O próprio racha entre governistas - que terão Pelegrino e Alice - e na malsucedida aliança oposicionista - fracionada no mínimo entre ACM Neto e Mário Kértesz - amplia as indefinições eleitorais.

Adriano Villela

As convenções ainda não foram concluídas, mas as cartas da sucessão muncipal estão praticamente postas. COmo já antecipara neste blog, a disputa vai girar em torno de duas a três candidaturas. Ao atrair um parceiro inédito, o PV, e conseguir reunir num mesmo palanque os governos federal, estadual e municipal, ACM Neto (DEM) e Nélson Pellegrino (PT) estão numa dianteira imaginária. Alice Portugal (PCdoB), que atraiu mais três partidos à sua coligação, surge com alguma força na luta pela terceira via com Mário Kértesz (PMDB). A decisão em torno da candidatura (ou não) da senadora Lídice da Mata (PSB) pode mexer no quadro, pelo próprio nome da ex-prefeitua e o crescimento da musculatura política dos socialistas.

Vejo um favoritismo apenas imaginário de petistas e democratas devido a cronologia do processo. Até aqui, apenas vimos as articulações entre os partidos. O eleitorado não se posicionou. Qual o rearranjo nas urnas que o PSD, uma legenda nova de nomes conhecidos? É benéfico ou desfavorável o apoio de um prefeito que sempre sofreu críticas à sua gestão, mas eleitoralmente teve força para se reeleger e garantir espaço na Assembléia para a sua então esposa? A própria aliança do DEM com os verdes é uma incognita. Acreditem, apesar de uma sigla pequena, o PV na Bahia tem suas divisões.

Outra incógnita é quanto à trajetória partidária do prefeito João Henrique, eleito pela primeira vez no PDT, reeleito no PMDB e agora PP. Quase todos os grandes partidos já foram oposição e bancada de sustentação de JH. Seu atual partido, por exemplo, caminha a apoiar o PT, que o fazia oposição. Já o DEM, que teve cargos na atual gestão, tende a um discurso de oposição. Creio que será mais difícil convencer o eleitorado por meio de uma tese política. O embate anticarlistas x Carlismo, ou mesmo Lulismo x Antilulismo deverá sair de cena.

O próprio racha entre governistas - que terão Pelegrino e Alice - e na malsucedida aliança oposicionista - fracionada no mínimo entre ACM Neto e Mário Kértesz - amplia as indefinições eleitorais. Petistas e comunistas acumulam há décadas o maior número e maior movimentação de militância, que na reta final têm postura de torcidas de futebol que levam o time à frente. Mas, a bem da verdade, sempre caminharam juntas. Separadas terão força suficiente para influir?

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