ESPECIAL: Aos 34 anos, Polo cresce e se reinventa
O Polo Petroquímico conta com 90 empresas – 34 dos ramos químico e petroquímico e 56 dos setores automotivo, de celulose, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas e serviços. Com faturamento de US$ 16 bilhões anuais. Gera 15 mil empregos diretos e outros 30 mil indiretos.
Adriano Villela
Um funcionamento desde 29 de junho de 1978, o Polo Petroquímico de Camaçari chega hoje aos 34 anos vivendo um processo de crescimento voltado essencialmente para a ponta das cadeias produtivas.Segundo o superintendente geral do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Mauro Pereira, o complexo já produz artigos da última geração do ciclo produtivo, como carros, pneus, bebidas e caixas d’água e outros artigos praticamente finais, nas áreas de cobre, celulose e equipamentos para energia eólica.
Economista de formação, Pereira entende que indústria, governo estadual e município devem continuar centrando forças na atração de produtos finais da cadeia. “São os que mais agregam valor e mais geram empregos”, argumenta.O secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado, James Correa, frisa que o complexo responde por 20% do PIB do Estado, podendo chegar a 50% se contada a Refinaria Landulpho Alves. O Polo Petroquímico conta com 90 empresas – 34 dos ramos químico e petroquímico e 56 dos setores automotivo, de celulose, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas e serviços. Com faturamento de US$ 16 bilhões anuais. Gera 15 mil empregos diretos e outros 30 mil indiretos.
No intervalo 2011-2015, o Polo tem confirmados US$ 6 bilhões em investimentos, com destaque para os projetos do Polo Acrílico – liderados pela Basf, com parceria da Braskem e participação da Kimberly-Clark, a montadora da JAC Motors e a fábrica de cosméticos/central de distribuição de O Boticário. Os novos empreendimentos que se instalarão na região nos próximos cinco anos vão gerar mais de 17 mil novos postos de trabalho, assim como uma demanda estimada de cinco mil profissionais para reposição de mão de obra.
Mauro Pereira acredita que a tendência do complexo industrial baiano é de continuar o crescimento. O dirigente atribui a atratibilidade do polo baiano a combinações de três elementos: mercados, assegurados pela política federal nos governos do ex-presidente Lula e da atual presidente, Dilma Rousseff, disponibilidade de matéria-prima e a questão ambiental, com a contribuição da Cetrel no tratamento dos efluentes.
“Outro ponto é político. O Brasil é uma democracia consolidada, o que não existe nos países em desenvolvimento, nos outros Brics. Os países desenvolvidos têm (política democrática assegurada), mas não possuem mercado”, comparou. Apenas o Polo representa mais de 30% do total exportado pela Bahia e gera R$ 1 bilhão em recolhimento do ICMS ao estado.
Segundo o superintendente-geral, o polo saiu da condição de apenas centro petroquímico e químico para se constituir num complexo industrial integrado. “O Pólo de Camaçari começa no óleo bruto extraído pela refinaria, de onde vem a nafta para a Braskem, que produz uma série de matérias-primas até a produção final ou quase final”, explica Pereira.
De acordo com o Cofic, o Polo de Camaçari possui capacidade instalada acima de 12 milhões de toneladas/ano de produtos químicos e petroquímicos básicos - tanto intermediários e finais -, processa 240 mil toneladas/ano de cobre eletrolítico. Responde por mais de 90% da arrecadação tributária de Camaçari. O investimento total no Polo saltou de US$ 12 bilhões até 2008, para US$ 16 bilhões (no ano passado), devendo superar os US$ 22 bilhões até 2015.
Reestruturação
Resultado de um modelo tripartite (governo, indústria nacional e capital estrangeiro), o Polo baiano experimentou duas grandes reestruturações. No começo da década de 90, teve seu crescimento desacelerado pelo processo de privatizações. Já em 2001, com a venda da central de matérias-primas Copene para o consórcio Odebrecht-Mariani, o novo controlador reorganizou a fábrica-mãe, a aproximando das empresas de segunda-geração.
Batizada inicialmente de Copenão, a empresa nasceu com o nome de Braskem. líder em termoplásticos na América Latina. Com ativos avaliados em R$12 bilhões, é um dos cinco maiores empreendimentos privados do país. Inaugurada em 2001, a Ford fabrica 300 mil automóveis/ano.
Na mesma época, a Monsanto investiu US$550 milhões para instalar a primeira indústria de matérias-primas para herbicidas da América do Sul. Recebeu ainda empreendimentos da área de celulose, deslanchando a fase de diversificação. Hoje, Ford e Braskem representam 70% da receita da empresa. Entre 2007 e 2010, foram atraídos US$ 6 bilhões, segundo a secretaria de Comunicação do Estado.
Matéria produzida para o Caderno Especial da Tribuna da Bahia sobre o Polo de Camaçari, publicado no dia 29 de junho
Adriano Villela
Um funcionamento desde 29 de junho de 1978, o Polo Petroquímico de Camaçari chega hoje aos 34 anos vivendo um processo de crescimento voltado essencialmente para a ponta das cadeias produtivas.Segundo o superintendente geral do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Mauro Pereira, o complexo já produz artigos da última geração do ciclo produtivo, como carros, pneus, bebidas e caixas d’água e outros artigos praticamente finais, nas áreas de cobre, celulose e equipamentos para energia eólica.
Economista de formação, Pereira entende que indústria, governo estadual e município devem continuar centrando forças na atração de produtos finais da cadeia. “São os que mais agregam valor e mais geram empregos”, argumenta.O secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado, James Correa, frisa que o complexo responde por 20% do PIB do Estado, podendo chegar a 50% se contada a Refinaria Landulpho Alves. O Polo Petroquímico conta com 90 empresas – 34 dos ramos químico e petroquímico e 56 dos setores automotivo, de celulose, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas e serviços. Com faturamento de US$ 16 bilhões anuais. Gera 15 mil empregos diretos e outros 30 mil indiretos.
No intervalo 2011-2015, o Polo tem confirmados US$ 6 bilhões em investimentos, com destaque para os projetos do Polo Acrílico – liderados pela Basf, com parceria da Braskem e participação da Kimberly-Clark, a montadora da JAC Motors e a fábrica de cosméticos/central de distribuição de O Boticário. Os novos empreendimentos que se instalarão na região nos próximos cinco anos vão gerar mais de 17 mil novos postos de trabalho, assim como uma demanda estimada de cinco mil profissionais para reposição de mão de obra.
Mauro Pereira acredita que a tendência do complexo industrial baiano é de continuar o crescimento. O dirigente atribui a atratibilidade do polo baiano a combinações de três elementos: mercados, assegurados pela política federal nos governos do ex-presidente Lula e da atual presidente, Dilma Rousseff, disponibilidade de matéria-prima e a questão ambiental, com a contribuição da Cetrel no tratamento dos efluentes.
“Outro ponto é político. O Brasil é uma democracia consolidada, o que não existe nos países em desenvolvimento, nos outros Brics. Os países desenvolvidos têm (política democrática assegurada), mas não possuem mercado”, comparou. Apenas o Polo representa mais de 30% do total exportado pela Bahia e gera R$ 1 bilhão em recolhimento do ICMS ao estado.
Segundo o superintendente-geral, o polo saiu da condição de apenas centro petroquímico e químico para se constituir num complexo industrial integrado. “O Pólo de Camaçari começa no óleo bruto extraído pela refinaria, de onde vem a nafta para a Braskem, que produz uma série de matérias-primas até a produção final ou quase final”, explica Pereira.
De acordo com o Cofic, o Polo de Camaçari possui capacidade instalada acima de 12 milhões de toneladas/ano de produtos químicos e petroquímicos básicos - tanto intermediários e finais -, processa 240 mil toneladas/ano de cobre eletrolítico. Responde por mais de 90% da arrecadação tributária de Camaçari. O investimento total no Polo saltou de US$ 12 bilhões até 2008, para US$ 16 bilhões (no ano passado), devendo superar os US$ 22 bilhões até 2015.
Reestruturação
Resultado de um modelo tripartite (governo, indústria nacional e capital estrangeiro), o Polo baiano experimentou duas grandes reestruturações. No começo da década de 90, teve seu crescimento desacelerado pelo processo de privatizações. Já em 2001, com a venda da central de matérias-primas Copene para o consórcio Odebrecht-Mariani, o novo controlador reorganizou a fábrica-mãe, a aproximando das empresas de segunda-geração.
Batizada inicialmente de Copenão, a empresa nasceu com o nome de Braskem. líder em termoplásticos na América Latina. Com ativos avaliados em R$12 bilhões, é um dos cinco maiores empreendimentos privados do país. Inaugurada em 2001, a Ford fabrica 300 mil automóveis/ano.
Na mesma época, a Monsanto investiu US$550 milhões para instalar a primeira indústria de matérias-primas para herbicidas da América do Sul. Recebeu ainda empreendimentos da área de celulose, deslanchando a fase de diversificação. Hoje, Ford e Braskem representam 70% da receita da empresa. Entre 2007 e 2010, foram atraídos US$ 6 bilhões, segundo a secretaria de Comunicação do Estado.
Matéria produzida para o Caderno Especial da Tribuna da Bahia sobre o Polo de Camaçari, publicado no dia 29 de junho
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