NOTÍCIA: Indicadores apontam para exaustão do modelo de estímulo ao consumo
“O modelo de estímulo ao consumo já deu o que tinha que dá. Não adianta querer que o brasileiro compre um pouco mais de carro para botar em ruas já lotadas”, ilustrou. “O lado da demanda está ok. O governo está com o diagnóstico errado. O problema está na oferta”, sustenta.
Adriano Villela
Com o crescimento de apenas 0,8% no primeiro trimestre – em comparação com o período imediatamente anterior - e indicadores de que o atual igualmente não apresentará expansão maior, especialistas já apontam para a exaustão do modelo de desenvolvimento econômico brasileiro de fomento ao consumo das famílias via ampliação ao crédito. O professor de Economia do Ibmec-BH, Reginaldo Nogueira.
“O modelo de estímulo ao consumo já deu o que tinha que dá. Não adianta querer que o brasileiro compre um pouco mais de carro para botar em ruas já lotadas”, ilustrou. “O lado da demanda está ok. O governo está com o diagnóstico errado. O problema está na oferta”, sustenta. O docente lembra que o varejo continua crescendo, a confiança do consumidor está em alta e o desemprego em baixa. Segundo ele, a ancoragem pelo mercado interno funcionou antes – inclusive na crise de 2008 e 2009 - porque havia uma explosão do consumo e os preços das commodities estavam em alta.
Na índústria, o Índice de Confiança (ICI-FGV) caiu 0,5% agora em junho, em cima do resultado de maio, dado revelado ontem pela Fundação Getúlio Vargas. A seu ver, a crise internacional voltou a expor problemas estruturais brasileiros, citando a carga tributária alta, burocratização e má qualificação da nossa mão de obra. “O Brasil está crescendo em níveis dos países europeus que estão no olho do furacão. Estamos abaixo da Alemanha (que elevou o PIB em 1,7% no trimestre janeiro-março de 2012)”. Para ele, há muita regulação no Brasil, fazendo com que “o poder público asfixie o setor privado”.
Já no entender do professor do MBA em Gestão de Risco da Trevisan, Cláudio Gonçalves, o colapso do modelo brasileiro ainda não chegou – dependeria de as famílias do país atingissem o limite de sua capacidade de endividamento – mas está próximo disso. A inadimplência é o principal fator de sua preocupação. “Os balanços dos bancos ao final do ano passado apresentaram aumento drástico nas previsões de perdas”.
Outro indicador do temor do mercado foi o boletim Focus da última segunda-feira, onde, conforme o Banco Central, os principais analistas do setor privado reduziram a previsão de crescimento deste ano para 2,3%. Na visão de Gonçalves, com o cenário atual o reaquecimento do crescimento passa pela mudança nas regras tributária “que diminua o custo Brasil e possibilite nossas empresas a produzir e vender no mercado internacional a preços competitivos mesmo em épocas de crise”.
Por considerar a dificuldade de se aprovar uma reforma tributária, que envolveria uma negociação com as normas do ICMS dos 27 estados, o professor da Trevisan vê com bons olhos medidas pontuais que vêm sendo adotadas pelo governo federal na área de tributos, a exemplo da anunciada mudança para desonerar o setor energético.
Matéria produzida originalmente para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 21 de junho, página 7.
Adriano Villela
Com o crescimento de apenas 0,8% no primeiro trimestre – em comparação com o período imediatamente anterior - e indicadores de que o atual igualmente não apresentará expansão maior, especialistas já apontam para a exaustão do modelo de desenvolvimento econômico brasileiro de fomento ao consumo das famílias via ampliação ao crédito. O professor de Economia do Ibmec-BH, Reginaldo Nogueira.
“O modelo de estímulo ao consumo já deu o que tinha que dá. Não adianta querer que o brasileiro compre um pouco mais de carro para botar em ruas já lotadas”, ilustrou. “O lado da demanda está ok. O governo está com o diagnóstico errado. O problema está na oferta”, sustenta. O docente lembra que o varejo continua crescendo, a confiança do consumidor está em alta e o desemprego em baixa. Segundo ele, a ancoragem pelo mercado interno funcionou antes – inclusive na crise de 2008 e 2009 - porque havia uma explosão do consumo e os preços das commodities estavam em alta.
Na índústria, o Índice de Confiança (ICI-FGV) caiu 0,5% agora em junho, em cima do resultado de maio, dado revelado ontem pela Fundação Getúlio Vargas. A seu ver, a crise internacional voltou a expor problemas estruturais brasileiros, citando a carga tributária alta, burocratização e má qualificação da nossa mão de obra. “O Brasil está crescendo em níveis dos países europeus que estão no olho do furacão. Estamos abaixo da Alemanha (que elevou o PIB em 1,7% no trimestre janeiro-março de 2012)”. Para ele, há muita regulação no Brasil, fazendo com que “o poder público asfixie o setor privado”.
Já no entender do professor do MBA em Gestão de Risco da Trevisan, Cláudio Gonçalves, o colapso do modelo brasileiro ainda não chegou – dependeria de as famílias do país atingissem o limite de sua capacidade de endividamento – mas está próximo disso. A inadimplência é o principal fator de sua preocupação. “Os balanços dos bancos ao final do ano passado apresentaram aumento drástico nas previsões de perdas”.
Outro indicador do temor do mercado foi o boletim Focus da última segunda-feira, onde, conforme o Banco Central, os principais analistas do setor privado reduziram a previsão de crescimento deste ano para 2,3%. Na visão de Gonçalves, com o cenário atual o reaquecimento do crescimento passa pela mudança nas regras tributária “que diminua o custo Brasil e possibilite nossas empresas a produzir e vender no mercado internacional a preços competitivos mesmo em épocas de crise”.
Por considerar a dificuldade de se aprovar uma reforma tributária, que envolveria uma negociação com as normas do ICMS dos 27 estados, o professor da Trevisan vê com bons olhos medidas pontuais que vêm sendo adotadas pelo governo federal na área de tributos, a exemplo da anunciada mudança para desonerar o setor energético.
Matéria produzida originalmente para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 21 de junho, página 7.
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