OPINIÃO: Buruvicha Róga

Diferentemente do episódio Collor em nosso País, as pessoas foram às ruas (e estão nas ruas agora!) - muitos deles nem eram luguistas - para defender o processo democrático que está em curso nesse país de histórias, belezas, cultura e gentes que me impressionaram desde o primeiro dia em que me deparei com um Paraguai que em absolutamente nada se resume ao noticiário que costuma chegar no Brasil.
Carla Aragão*

Todos os dias eu passo em frente a Mburuvicha Róga (traduzido do guarani: casa do líder), residência dos presidentes do Paraguai, porque a sede do meu trabalho fica a poucas quadras dali. E como fica tão perto, um dia fomos supreendidos por uma visita sem avisar, ao melhor estilo baiano, do então presidente da República do Paraguai, Fernando Lugo. Sorridente, fez perguntas sobre nosso trabalho, elogiou as instalações, fez piada sobre futebol e se foi da mesma forma que entrou. Controverso, polêmico, são muitos os adjetivos que podem ser atribuídos ao ex-presidente Lugo, mas não se pode oferecer as costas à história que ele decidiu escrever, com apoio popular, desde que assumiu o governo.

A questão é que não vai ser fácil fazer esse trajeto nesta segunda-feira, quando possivelmente o ex-presidente (o líder caído, ou melhor, derrubado por um golpe) estará arrumando suas malas de Mburuvicha Róga. E que quando ali entre o novo presidente, vou fazer um percurso mais longo para não ter que passar em frente a uma casa que definitivamente não é a do líder reconhecido pela maioria do povo paraguaio. Diferentemente do episódio Collor em nosso País, as pessoas foram às ruas (e estão nas ruas agora!) - muitos deles nem eram luguistas - para defender o processo democrático que está em curso nesse país de histórias, belezas, cultura e gentes que me impressionaram desde o primeiro dia em que me deparei com um Paraguai que em absolutamente nada se resume ao noticiário que costuma chegar no Brasil.

Recentemente, a cantora Ivete Sangalo esteve aqui e, acompanhada por jornalistas baianos, todos tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais desse país bilíngue, dessa gente que toma tererê o dia todo, da comida pesada e deliciosa (como a nossa) de gente batalhadora e sorridente. Vocês se identificaram? Eu também, e é por isso que quando se aproximar o dia da minha volta não será um alívio, será uma despedida de quem elegeu esse país como segunda pátria.

Minha solidariedade ao povo paraguaio hoje e sempre.

* jornalista baiana e das mais talentosas, Carla Aragão é baiana, tendo sido minha colega na Gazeta da Bahia. Mora atualmente em Assunção (Paraguai). Artigo publicado na sua página no Facebook, que sigo.

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