SETOR NAVAL: Ano começa com novo desafio para estaleiro baiano


O MPF de Feira de Santana aciona ainda os órgãos ambientais da União Ibama e ICMBio  e o sócios do estaleiro por ocupação irregular da Reserva Extrativista Baía do Iguape (BA)

Adriano Villela

Responsável por empregar cerca de 4 mil pessoas até 2014, o estaleiro Enseada Paraguaçu, em Maragogipe, enfrenta um novo desafio. Ainda com construção inconclusa - falta aproximadamente 15% dos serviços - e parado desde março de 2015, o equipamento é alvo de uma ação ingressada pelo Ministério Público Federal.

O MPF de Feira de Santana aciona ainda os órgãos ambientais da União Ibama e ICMBio  e o sócios do estaleiro por ocupação irregular da Reserva Extrativista Baía do Iguape (BA),"que teve seus limites territoriais alterados ilegalmente para possibilitar a implantação do polo naval na região". O procurador da República Samir Cabus Nachef Júnior requer à Justiça Federal, liminarmente, que os réus tomem providências para reparar os danos ambientais causados pela obra.

Porém, a questão ambiental nada tem a ver com a paralisação do Enseada Paraguaçu. O empreendimento é fruto de uma joint-venture entre a japonesa Kawasaki - que busca retomá-lo em outro arranjo societário - e um consórcio brasileiro formado por OAS, Odebrecht e UTC. As três empreiteiras brasileiras estão envolvidas na Lava Jato.

E mais: o empreendimento foi contratado para fazer seis navios-sonda para a Sete Brasil (outro alvo da lava jato) que os encomendou a serviço da Petrobrás, sócia minoritária da Sete e - ainda que na condição de vítima - palco central das irregularidades da mega força-tarefa sediada em Curitiba.

Para completar, desde a posse de André Parente na presidência, a Petrobrás sinaliza preferi encomendar navios-sonda no exterior do que apostar na estrutura naval nacional.

Sinceramente, acredito na reativação do estaleiro baiano no futuro. Mas vejo na complexa e controversa estrutura da Sete Brasil um dos maiores desafios da economia brasileira. Seu equacionamento tem potencial para alavancar tanto o PIB quanto a geração de empregos no país.

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