GESTÃO ESPORTIVA: Elefante branco virou obrigação, punindo quem o combateu
Administração das arenas da Copa traz ainda mais preocupação em razão da Copa América 2019, agendada para o Brasil e sem nenhuma ação do país oficializada até agora
Adriano Villela
Diz a lenda que uma família escolheu o local onde morava por haver limitações de som durante a madrugada. Passado um tempo, os auto-falantes passaram a ser tolerados, autorizados e- por fim - frequentes. Antes que virasse obrigatória a ocorrências de festas com abusos sonoros a família se mudou. O caso, pitoresco, lembra a situação dos estádios da Copa de 2014. Na segunda-feira (20), a CBF confirmou o regulamento que proíbe jogos da primeira divisão em outros estados. O elefante branco, que antes pelo menos era combatido, agora é regra. O tal do legado ficou no discurso.
Era de conhecimento público que os estádios de Manaus, Cuiabá, Fortaleza, Natal e até na capital federal Brasília não teria público de times locais para sustentar suas operações. No Amazonas, por exemplo, todo o público do campeonato estadual de 2015 não lotariam a Arena Amazônica. E, na Copa do Brasil, o Bahia jogou naquele ano em um estádio menor porque o clube mandante, o Nacional, não podia pagar as taxas do equipamento da Copa do Mundo.
Esta questão, isoladamente, seria totalmente superável. Desde os anos 90, quando o então presidente do Vitória Paulo Carneiro propôs o modelo arena, a ideia era termos um estádio multiuso, servindo ao futebol, outros esportes, eventos e atividades culturais. A Fonte Nova, por exemplo, abriga eventos antes programados para o Centro de Convenções da Bahia e o Festival de Verão. A realização da Copa do Mundo jamais manteria os estádios, mas a promoção de uma série de atividades que já teriam um marketing inicial forte baseado nos jogos do mundial.
Porém, na maioria dos casos, a ideia não foi adotada e, atualmente, até a gestão do gigante Maracanã enfrenta sérias dificuldades. Persistindo no projeto de criar elefantes brancos, a Confederação Brasileira de Futebol banca campeonatos sub-20 e de futebol feminino - algo até positivo - mas não programa um calendário destas disputas para as arenas da Copa. Os jogos da seleção nas eliminatórias da Copa 2018 acontecem no Recife, em Salvador e Belo Horizonte, cidades com times no Brasileiro e em torneios internacionais.
A única medida que visava movimentar as arenas menores e justificar os altos investimentos nestas praças foram os jogos de times da Série A que vendiam o mando de campo e levavam público forte para os estádios de Brasília, Cuiabá e Manaus. Agora isso está proíbido, medida que gerou protesto justamente do Flamengo, time de maior torcida do país e com admiradores em todos os estados.
O caos nos estádios da Copa preocupam principalmente porque a próxima Copa América de seleções, em 2019, será no Brasil. Nada ainda está definido sobre o torneio - mais uma vez tudo será definido de última hora -, mas há a expectativa de até quatro capitais que não sediaram a Copa do Mundo serem incluídas neste torneio, como Belém (PA) e Goiânia (GO). Mais elefante branco. Haja imposto a ser pago para sustentar essa confusão!
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