COPA 2014: Como proposta, evento era bom negócio para o país.


O grande nó, a meu ver, está na baixa realização das ações programadas, quadro presente tanto na Copa como no PAC e no Minha Casa Minha Vida. Vejamos o caso baiano.  No aerporto, a Infraero luta para entregá-lo sem tapumes. A segunda etapa das obras para a Copa ficou para depois da Copa


Adriano Villela

Tenho uma dificuldade histórica  com avaliações que só apontam pontos positivos ou só pontos negativos. Nada na vida é 8 ou 80. A realização da Copa do Mundo no Brasil apresenta falhas, isso é verdade. Alguns deles apontei ou no blog ou no Face. Para ficar no último, não compreendo como a vuvuzela foi liberada na Africa do Sul e proibida aqui. O publico merecia, ao menos, uma explicação.

Isso não significa que sediar o torneio tenha sido uma má idéia. É, literalmente, colocar o carro adiante dos bois. Trazer a Copa, à luz da realidade nacional em 2007, era um bom negócio. O problema está na preparação feita, o que significa dizer que a Olimpíada Rio 2016 tem jeito sim, desde que os responsáveis façam seu dever de casa.

Em 2007, além da atração do evento, o governo federal anunciou o tão falado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nada mais nada menos do que uma série de obras de infraestrutura (produtiva urbana) necessárias ao país. O aumento do volume destas intervenções - intensas em mão-de-obra - permitiria a elevação do Produto Interno Bruto e da renda.

A competição futebolística viria a se beneficiar destas melhores e também potencializá-las. Aqui na Bahia mesmo, as obras de mobilidade (metrô à frente) são necessidade da cidade, com ou sem jogos internacionais. A reforma do aeroporto e o terminal de passageiros do porto são demanda do turismo, de lazer e negócios. Entre a atividade econômica e a Copa haveria, portanto, uma simbiose. Ao invés de incentivos fiscais, as obras e a infraestrutura que elas garantiriam seriam o estímulo para o empresariado abrir o bolso.

Sobre a crise de 2008


A crise de 2008 em nada afetou a Copa. A bolha imobiliária, a quebra do Lheman Brothers e seus desdobramentos geraram queda do crédito lá, nos Estados Unidos. Aqui, as reservas nos permitiram ter crédito, cujo avanços nos últimos anos foi marcante, a despeito da inadimplência também em alta. Dinheiro existia, tanto que o governo federal, em uma estratégia semelhante ao PAC, lançou o Minha Casa Minha Vida, já em 2009. Nesta iniciativa, atacaria-se um problema social concreto, sobretudo nas grandes cidades, e impulsionaria-se a economia, via Construção Civil.

O grande nó, a meu ver, está na baixa realização das ações programadas, quadro presente tanto na Copa como no PAC e no Minha Casa Minha Vida. A questão é social e econômica. Com o cronograma físico destas obras menor, circula-se menos dinheiro. A economia aquece menos. Levantamento do TCU mostra que o atraso de seis obras - entre elas a controvertida transposição do São Francisco e a Ferrovia Oeste Leste - causa um prejuízo de R$ 28 bilhões. Mais do que a Copa (cerca de R$ 26 bilhões)

Na Bahia


Vejamos o caso baiano. Para a Copa, ficou pronta uma obra de mobilidade - a Via Expressa, projeto anterior à escolha de Salvador - e o metrô tem a expectativa de entrega de um trecho que em 2008 estava 98% pronto. No aerporto, a Infraero luta para entregá-lo sem tapumes. A segunda etapa das obras para a Copa ficou para depois da Copa. E o terminal de passageiros do porto será entregue incompleto, um ano depois do prazo primeiramente previsto.

Pronto mesmo, só mesmo os estádios: Pituaçu, recuperado em 2008, e a Fonte Nova, entregue em 2013. Mas os estádios merecem um artigo à parte. Andaram devagar as ações da Copa, a ecnomia e a recuperação da infraestrutura do país.

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