GESTÃO PÚBLICA Sobre ciclovias, legado da Copa e a crise econômica
Orçamento mal feito, planejamento insuficiente e gerenciamento de má qualidade foram identificados no PAN de 2007, na Copa, na Rio 2016 e provavelmente se repetirá na Copa América de 2019
Adriano Villela
Passada a Copa de 2014, o entendimento consensual é de que o torneio foi bem organizado, mas não deixou um legado dos mais relevantes. A própria gestão das arenas enfrenta problemas nas 12 cidades dos jogos reforça esta tese. Porém, compreendo que as megacompetições esportivas deixaram um saldo importante, não enxergado pela expectativa quanto ao legado.
Se a Copa e a Olimpíada, de fato, não deixaram a chave para o crescimento contínuo, ao menos apresentaram lições que deveríamos ter apreendido. Há a necessidade de se resolver as causas para tanto atraso de obras. Não temos até hoje a conclusão da reforma do aeroporto de Salvador e a inauguração do terminal de passageiros do porto -ambos previstos para a Copa.
Mesmo com tantos adiamentos, a falta de rigor no calendário não implica em melhoria do padrão técnico, como mostrou a tragédia anunciada na ciclovia do Rio. Em projetos sem um calendário final fixo, construções atrasam mais ainda.
Os reflexos da Lava Jato atrapalham, é verdade. Entretanto há claramente outros fatores. A Transnordestina está sendo construída há 10 anos. Segundo a CSN, grupo responsável pelo projeto, 600 quilômetros foram realizados. Qual o volume de carga que carrega? Isto em um projeto que não sofre influência direta das investigações, como a Fiol, onde não se ver qualquer sinal de finalização dos serviços.
Mas o surpreendente de tudo é o não aprendizado. Erros que levaram o metrô de Salvador a 12 anos de atraso na entrega do primeiro trecho permanecem nos novos projetos. Há um mês no governo, o presidente em exercício, Michel Temer, quase nada abordou sobre obras atrasada e mal feitas. Isto é, fez críticas ao passado, mas nada apresentou para o presente. Prioriza um proposta para limitar os gastos públicos, algo que ele pode fazer sem nenhuma medida no Legislativo, já que quem autoriza as despesas é o próprio Executivo.
Orçamento mal feito, planejamento insuficiente e gerenciamento de má qualidade foram identificados no PAN de 2007, na Copa, na Rio 2016 e provavelmente se repetirá na Copa América de 2019, a ser realizada no Brasil. Este é o grande legado que se perde.
Adriano Villela
Passada a Copa de 2014, o entendimento consensual é de que o torneio foi bem organizado, mas não deixou um legado dos mais relevantes. A própria gestão das arenas enfrenta problemas nas 12 cidades dos jogos reforça esta tese. Porém, compreendo que as megacompetições esportivas deixaram um saldo importante, não enxergado pela expectativa quanto ao legado.
Se a Copa e a Olimpíada, de fato, não deixaram a chave para o crescimento contínuo, ao menos apresentaram lições que deveríamos ter apreendido. Há a necessidade de se resolver as causas para tanto atraso de obras. Não temos até hoje a conclusão da reforma do aeroporto de Salvador e a inauguração do terminal de passageiros do porto -ambos previstos para a Copa.
Mesmo com tantos adiamentos, a falta de rigor no calendário não implica em melhoria do padrão técnico, como mostrou a tragédia anunciada na ciclovia do Rio. Em projetos sem um calendário final fixo, construções atrasam mais ainda.
Os reflexos da Lava Jato atrapalham, é verdade. Entretanto há claramente outros fatores. A Transnordestina está sendo construída há 10 anos. Segundo a CSN, grupo responsável pelo projeto, 600 quilômetros foram realizados. Qual o volume de carga que carrega? Isto em um projeto que não sofre influência direta das investigações, como a Fiol, onde não se ver qualquer sinal de finalização dos serviços.
Mas o surpreendente de tudo é o não aprendizado. Erros que levaram o metrô de Salvador a 12 anos de atraso na entrega do primeiro trecho permanecem nos novos projetos. Há um mês no governo, o presidente em exercício, Michel Temer, quase nada abordou sobre obras atrasada e mal feitas. Isto é, fez críticas ao passado, mas nada apresentou para o presente. Prioriza um proposta para limitar os gastos públicos, algo que ele pode fazer sem nenhuma medida no Legislativo, já que quem autoriza as despesas é o próprio Executivo.
Orçamento mal feito, planejamento insuficiente e gerenciamento de má qualidade foram identificados no PAN de 2007, na Copa, na Rio 2016 e provavelmente se repetirá na Copa América de 2019, a ser realizada no Brasil. Este é o grande legado que se perde.
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