CRISE ECONÔMICA: os exemplos de gestão do BTG e da Oi


Uma reflexão necessária: com executivo envolvido na Lava Jato, banco permanece vivo, fora das investigações concessionária pede recuperação judicial

Adriano Villela

O anúncio do pedido de recuperação judicial da Oi nos levou a uma reflexão necessária. Como o banco BTG, que teve seu principal executivo - André Esteves - preso pela Lava Jato permanece de pé e a concessionária de telefonia não sabe como honrar seus compromissos?

Uma primeira conclusão, óbvia, é de que as investigações não são o marco gerador da crise econômica. Pode afetar, mas há outros elementos em jogo. O segundo é mais importante para este artigo. Há uma diferença no estilo das duas gestões que definiram a parada.

O BTG, tão logo viu seu executivo preso, iniciou um plano arrojado de desinvestimentos. Foi rápido e teve em seu corpo diretivo pessoas decididas a fazer o que era necessário diante do cenário. A Oi ficou esperando ver a banda passar.

Não registro nenhuma medida da companhia em redirecionar o negócio no sentido de ele ter o tamanho em que o caixa da empresa pode bancar. Lembra o caso da Gazeta Mercantil, onde trabalhei de 1999 a 2001.

Quando entrei no veículo já havia a informação de que a empresa enfrentava dificuldades financeiras. Como a publicação era voltada à economia, era fácil para seus jornalistas saberem informes de bastidores sobre o problema.

Ao invés de se adequar ao quadro, a direção resolveu investir em novos negócios, em parceria com a Portugal Telecom. Veio a crise do apagão energético, em 2001, a empresa que editava o jornal tinha um déficit operacional e a necessidade de investir na parceria. O xeque-mate, via queda na publicidade, tornou-se inevitável.

NOMINALISMO - Como saldo dos dois exemplos atuais, reforço o entendimento contrário ao projeto federal de nominalismo - limitar o crescimento das despesas à inflação. O motivo é o que difere da maioria dos críticos ao projeto. Os gastos primários, a meu ver, devem cair - e não subir junto com a inflação.

É urgente que o país volte a ter superávit primário. O modelo atual só se sustenta com a emissão de títulos. Por isso, os juros altos. Até agora, estes papeis são absorvidos pelo mercado. Quanto maior for o déficit no curto prazo maior será o risco de o governo não conseguir mais negociar os títulos. Não há como estabelecer se ou quando isso vai acontecer, mas não tenho dúvidas que estamos flertando com o perigo.

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