CRISE NO RIO: Olimpíada e serviços públicos fazem duelo de duas vítimas

Ciclovia de três meses já avariada comprova que as duas áreas foram mal geridas

Adriano Villela

O estranho decreto de calamidade pública financeira no Rio de Janeiro insinuam uma escolha entre serviços públicos e jogos olímpicos. Não me convence. A questão, assim como aconteceu na Copa de 2014, envolve duas vítimas.

Não houve escolha. Ambos foram mal geridos. Tanto que se vê hospitais com atendimento precário, escolas sem aulas, UPPs perdendo para o crime e obras atrasadas a 50 dias da abertura da competição. Há problemas nos dois lados.

O problema é de gerência. Os próprios organizadores da Olimpíada divulgam que a maior parte dos investimentos do torneio é privada. Como o investimento empresarial afetou as finanças públicas? Seja empresa, família ou órgão público, todos nos gastamos com custeio ou investimento. A necessidade, no caso brasileiro e fluminense, é cortar as despesas para manter a máquina, e não as ações finais.

Saúde, Educação e Segurança são áreas prioritárias. O governo tem que investir nelas - até por imposição legal vinda em boa hora. Mas não é exigido, até porque equivocado, que ele tenha sobreposição de órgãos, Redas, um sem número de terceirizados, obras sem data para ser, escolas e hospitais abandonados, ciclovias pessimamente construída.

A estrutura envolvida em muitas das políticas públicas sã maiores que as suas realizações. O Rio foi agraciado com um Pan-Americano, jogos da Copa do Mundo - incluindo a final - e uma Olimpíada com farta presença verba federal. Nem assim aprendeu a gerir o próprio orçamento dos torneios.

O governo do Rio de Janeiro não me explicou porque a Olimpíada representa uma redução nos serviços públicos mas ele precisa manter o mesmo tamanho da máquina para administrar menos ações? Mais difícil ainda é explicar como a prefeitura apresenta condições financeiras melhores.

O próprio decreto, em suspeito ato falho, traz uma contradição do governo local: se a situação é de calamidade, porque deixar  para depois a  implementação das medidas? Aqui na Bahia, a administração estadual fez uma auditoria da folha - descobriu até servidor que trabalha em outro Estado, irregularmente - e a prefeitura fez um contingenciamento de R$ 1,5 bilhão. E no Rio em calamidade, nada?!
Imagem Eric Poseidon/site Vadebike

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