OPINIÃO: Até definição do primeiro turno é possível


Caso o processo seja resolvido na primeira votação, o próximo prefeito será ele. Não vejo condições de o petista ser alijado do segundo turno, porém, devido a peculiariedades do pleito local, antevê complicações na rodada derradeira.

Adriano Villela

Escolhidos os seis candidatos a prefeito na sucessão municipal de Salvador, o cenário permanece indefinido, mas com contornos mais nítidos. O candidato do PT, Nélson Pellegrino, indiscutivelmente tem musculatura política mais consistente. São 14 legendas em seu entorno, o apoio oficial dos governos federal, estadual e do partido do prefeito João Henrique. Caso o processo seja resolvido na primeira votação, o próximo prefeito será ele. Não vejo condições de o petista ser alijado do segundo turno, porém, devido a peculiariedades do pleito local, antevê complicações na rodada derradeira. Mário Kértesz (PMDB) sairá ou sozinho ou com apoio de mais um a dois partidos. É muito pouco para fazer frente ao concorrente governista, com o apoio das três esferas de poder. 

Para quem não lembra, em 2008, os candidatos em terceiro e quarto nas pesquisas eleitorais foram para o segundo turno. Isto porque, dentre outros fatores, é quem tinha o apoio da prefeitura - o próprio gestor -, do governo estadual (o hoje senador Walter Pinheiro) e do Planalto (ambos). Agora, o detentor deste apoio já está entre os dois, junto com ACM Neto (DEM), hoje liderando as pesquisas e a oposição.

Há quatro, anos havia quatro candidaturas com chances, incluindo o próprio democrata e o  Antônio Imbassahy (PSDB). Agora são apenas três. Márcio Marinho (PRB), Tadeu da Luz (PRB) e Hamilton Assis (PSOL) devem apenas marcar presença. Se o peemedebista sofrer uma continuada desidratação- a exemplo do tucano no pleito passado - o segundo turno fica ameaçado.

Jogo complexo
É verdade que o PMDB liderou politicamente a reviravolta de João Henrique (PMDB, à época), quando este enfrentava uma rejeição de 67%. Os peemedebistas são potencia municipal como nenhum outro partido. Kértesz tem a vantagem pessoal de ser experiente em política e como comunicador. É um perigo nos debates. E os Vieira Lima conhecem política o suficiente para abocanhar uma vaga na fase decisiva.

Terão pela frente um ACM Neto mais amadurecido do ponto de vista partidário. Unido ao PSDB, protagonizou a grande surpresa pré-eleitoral ao atrair o PV. Tem, segundo os bastidores, o apoio pessoal de João Henrique. Precisa aliar isso a um discurso mais próximo da população e garantir combustível para a reta final, onde o DEM costuma cair por falta de militância. Ambos devem buscar ganhos políticos da greve dos professores.

Num jogo complexo, democrata e peemedebistas terão que conduzir a campanha com muito cuidado. Disputam uma mesma vaga no segundo turno (a menos que o apoio religioso catapulte o Bispo Marinho)  e são aliados quase obrigatórios na segunda rodada, pois - pelo desenho político da Bahia dificilmente um dos dois apoiaria o PT. O DEM por ser adversário histórico e peemedebistas porque fortaleceria em demasia o candidato do PT em 2014, quando Geddel Vieira Lima deve voltar a disputar o Palácio de Ondina.

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