NOTÍCIA: Megaparque eólico entregue em Caetité


Apesar de entregue dentro do cronograma definido - 17 meses -, o parque inaugurado ontem não começa a operar agora. A Companhia hidroelétrica do São Francisco (Chesf) só conclui em setembro do ano que vem duas linhas de transmissão necessárias para ligar os aerogeradores da Renova à rede do Organizador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)

Adriano Villela

Com uma perspectiva de gerar no total mais de 670 megawatts de energia, foi inaugurado ontem pela Renova, nos municípios de Caetité, Igaporã e Guanambi, a maior planta de eólica da América Latina. De acordo com mapeamento realizado em 2007, essa região do sudoeste baiano tem o maior potencial de vento de todo o Brasil e um dos maiores do mundo.

Somente a etapa entregue ontem, denominada Complexo Alto Sertão I, é composta por 14 parques e 184 aerogeradores, capazes de produzir 294 megawatts. E é energia suficiente para uma cidade de 540 mil residências ou dois milhões de habitantes.

Equivale a 30% da capacidade atual brasileira em energia renovável, que gira em torno de um gigawatts. A Renova tem mais 400 megawatts de energia eólica contratadas no mercado livre e avalia o potencial da região baiana entre 2,5 e 3 gigawatts. Apesar de entregue dentro do cronograma definido - 17 meses -, o parque inaugurado ontem não começa a operar agora.

A Companhia hidroelétrica do São Francisco (Chesf) só conclui em setembro do ano que vem duas linhas de transmissão necessárias para ligar os aerogeradores da Renova à rede do Organizador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Um termo de cooperação técnica está sendo articulado pelo Governo do Estado junto à Chesf para agilizar este processo, segundo o secretário-executivo da Câmara de Energia da Bahia, Rafael Valverde.

O diretor-presidente da Renova, Mathias Becker, confirmou que ao lado dos R$ 4,4 bilhões previstos para os parques de aerogeradores, a empresa pretende aplicar em energia solar na região de Caetité. O forte dos ventos no local é à noite, com velocidade de até 15 metros por segundo. De dia, o potencial é pouco mais da metade disso. O executivo classifica a Bahia como parceira da empresa.

“Para a Renova, até hoje o governo tem sido um parceiro que impressiona pela agilidade, não só em relação ao Estado como nos governos locais, dos municípios”.  Becker destacou que Alto Sertão I ficou pronto dentro do orçamento previsto em 2009, quando ocorreu o leilão. Ressaltou ainda que esta primeira fase da energia eólica contou com baixo investimento estrangeiro.

”O leilão de 2009 foi o símbolo do empreendedorismo. Uma energia nova que está sendo trazida por empreendedores brasileiros”, declarou. Sócio da Renova e vice-presidente do Conselho da Asssociação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Renato Amaral afirmou que o êxito nos prazos e orçamentos previstos para o complexo Alto Sertão I foram assegurados por meio da parceria com a comunidade e o poder público.

Os aerogeradores estão implantados em terras arrendadas por produtores agrícolas locais.  Durante a solenidade de inauguração, o complexo Alto Sertão I recebeu a denominação de complexo Engenheiro Luís Fernando Almeida de Bastos, em homenagem a uma funcionário da Renova já falecido.

Participaram ainda da inauguração o governador Jaques Wagner, os secretários estaduais Rui Costa (Casa Civil), José Sérgio Gabrielli (Planejamento), James Correia (Indústria) e Eugênio Spenglers (Meio Ambiente) e Nilton Vasconcelos (Trabalho), a presidente da Abeólica, Elbia Melo, o diretor presidente da Chesf, João Bosco de Almeida, o membro do conselho da Renova e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.

Matéria produzida para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição do dia 9 de julho, na página 5

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