NOTÍCIA: Do esporte e das telas para a política
Para jornalista Renato Pinheiro, que também trabalha como publicitário em campanhas eleitorais, a migração de campos como futebol e artes para a política é insuficiente para garantir eleição ao estreante.
Adriano Villela
Com 38 dos atuais 41 vereadores disputando a reeleição, a corrida por uma vaga na próxima legislatura promete ser das mais quentes. Acirrando ainda mais a concorrência, nomes como o do ex-governador e ex-ministro Waldir Pires (PT) e do vice-prefeito e ex-prefeito, Edvaldo Brito (PTB).
O que não impede, contudo, o surgimento de nomes conhecidos em outros segmentos sociais em busca de um espaço na política, no rastro de casos bem sucedidos, como o da vereadora Leo Kret (PR) – terceira colocada em 2008 – e do delegado e deputado Deraldo Damasceno (PSL), que agora buscará voos no Executivo como candidato a vice-prefeito. Quem esperava o retorno à política do ex-vereador e presidente do Esporte Clube Bahia, Marcelo Guimarães Filho, foi surpreendido com outro personagem da agremiação esportiva: o torcedor-símbolo Binha de São Caetano, candidato à vereança pelo (PRP).
Ainda do esporte o pleito de Salvador terá o ex-boxeador Reginaldo Hollyfield (PDT). Do mundo artístico, um dos destaques é Jorge Amado Neto (PP). No DEM, delegada Patrícia Nuno, que tentou, mas não se elegeu deputada estadual em 2010, concorrendo pelo PMDB – busca melhor sorte na corrida por uma cadeira na Câmara.
Presidente da Federação dos Micro e Pequenos Empresários (Femicro), Moacir Vidal, do PCdoB, confia na bandeira do empreendedorismo. “Salvador tem 70 mil empreendedores individuais e 150 micro e pequenos empresários. Se consegui sensibilizar estas pessoas de que o segmento precisa ter um representante na Câmara, é possível gerar uma onda forte”, disse.
Como o PCdoB vai marchar sozinho na proporcional, ele vai concorrer com o ex-deputado Javier Alfaya, mas terá como nicho os votos de Olívia Santana, que não tentará a reeleição pois postula o cargo de vice-prefeita na chapa do petista Nelson Pelegrino. “Rui Oliveira, que era uma candidatura forte, não vai concorrer”, destaca.
O presidente da APLB afirmou à Tribuna que sua pré-candidatura havia sido retirada desde 4 de junho, dedicando-se no momento exclusivamente ao sindicalismo. Quem também saiu do páreo foi o jornalista Ernesto Marques (PT), que comunicou sua retirada em nota no Facebook. A “bancada” do jornalismo terá, em compensação, a presença da apresentadora Aline Castelo Branco (PMDB).
Para jornalista Renato Pinheiro, que também trabalha como publicitário em campanhas eleitorais, a migração de campos como futebol e artes para a política é insuficiente para garantir eleição ao estreante. Para ele, um trabalho político anterior é essencial. “É preciso uma história e um motivo que justifique esta candidatura”, frisa.
O publicitário, contudo, vê a possibilidade de, num ambiente de descrédito com a política, “candidaturas pouco sérias podem prosperar”. É o chamado voto de protesto. Em 2010, o candidato Francisco Everardo (Tiririca – PR/SP) foi o deputado federal eleito com maior votação em todo o país com o slogan “Pior do que está não fica”.
Representatividade em um segmento – como o caso de Leo Kret (PR) – ou em comunidades contam pontos importantes. Já o deputado federal Acelino Popó Freitas (PP) conquistou uma vaga no Congresso Nacional após uma passagem como secretário de Esportes de Salvador. Pensamento semelhante tem o candidato a vereador Hilton Coelho (PSOL), que busca melhor sorte na sua quarta candidatura. “É preciso ter propostas e uma leitura de Salvador. A cidade tem problemas históricos. Se o candidato apresentar soluções, pode contribuir”.
Matéria produzida para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 7 de julho, na página 5
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