NOTÍCIA: Estaleiro baiano começa obra com operação garantida

“É quase impossível no Brasil não termos utilidade para (o estaleiro de) São Roque”, disse o gerente de implantação de empreendimentos de unidades de perfuração marítima, Rômulo de Miranda Coelho. Ele informou que a Petrobras projeta construir mais 12 plataformas, de 15 módulos.

Adriano Villela

Um projeto de uma década começa a ser implantado hoje com o lançamento da pedra fundamental do Estaleiro Enseadas do Paraguaçu (EPP), localizado em São Roque, distrito do município baiano de Maragogipe. A solenidade será acompanhada pela presidenta Dilma Rousseff e pelo governador Jaques Wagner, além das respectivas comitivas, que logo a seguir participam do batismo da sonda p-59, a primeira construída no Nordeste brasileiro. O estaleiro ficará pronto em 2014, mas começa operação em 2013. Começa com sete plataformas flutuantes (águas profundas) garantidas, seis  sondas para perfuração em campos do pré-sal, já contratadas. Tal demanda garante economicamente o funcionamento do EPP por 10 anos.

O gerente-geral de Construção e Manutenção de Poços e Sondas Auto-Elevatórias para o Norte-Nordeste da Petrobras, José Venâncio Lima Cordeiro Júnior, estima um futuro ainda mais promissor. Aos cinco anos e contando com o expertise da região baiana no fabrico da p-59 e da p-60, o estaleiro baiano já poderia fazer parcerias internacionais, inclusive com empreendimentos de Cingapura, polo atual na construção de estaleiros. Serão investidos R$ 2 bilhões no EPP, empreendimento privado formado por Odebrecht, OAS, UTC e Kawasaki. Serão gerados 3 mil empregos diretos na construção, 5 mil após início da operação e 10 mil indiretos.

A empresa se compromete a usar 55%¨de mão de obra local. “É quase impossível no Brasil não termos utilidade para (o estaleiro de) São Roque”, disse o gerente de implantação de empreendimentos de unidades de perfuração marítima, Rômulo de Miranda Coelho. Ele informou que a Petrobras projeta construir mais 12 plataformas, de 15 módulos. “São Roque é um lugar típico para a construção de módulos”. O EPP será voltado a construção e integração de unidades offshore, como plataformas, navios especializados e unidades de perfuração,

Plataformas - A plataforma autoelevatória P-59 é a sexta sonda para águas rasas da Petrobras, mas, a exemplo da P-60 ( com previsão de batismo para novembro),  tem alcance de lâmina dágua (trecho oceânico até alcançar a rocha) de 106 metros. A lâmina das cinco primeiras atingem entre 70 a 72 metros. De acordo com o superintendente da nova plataforma, Róbson Pacheco,  as duas plataformas construídas na Bahia terão cabine de comando informatizadas, tirando o ser humano das atividades de maior risco. 

É também adaptável para condições mais complexas de temperatura e pressão. “A p-59 pode perfurar até 9 mil metros de profundidade. Pode perfurar poços para o pré-sal”, garantiu Robson Pacheco. Com um custo de US$ 360 milhões, cada, p-59 e p-60  foram produzidas no Brasil menos por diferenças de preço com o mercado internacional – quase o mesmo segundo Cordeiro Júnior – do que por objetivos estratégicos. “Nossa preocupação era capacitar o mercado. Dinheiro se perde, conhecimento não”, destacou o gerente geral.

Atualmente, a p-59 está na fase de comissionamento, que consiste na testagem de seus 2 mil sistemas – abrangendo hotelaria, comando da embarcação e os processos de perfuração propriamente dia. Tem custo diário previsto de US$ 150 mil a R$ 200 mil dólares. Deve entrar em operação em setembro, quando será deslocada para um campo no Espírito Santo, mesmo destino da p-60.

Matéria produzida para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 13 de julho

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