NOTÍCIA: Brasileiro compromete 1/5 da renda com dívidas
“Os prazos não são os mesmos no Brasil. O crédito está mais seletivo e a redução de juros também não vale para todo mundo. Depende do relacionamento de cada cliente”, explica o economista.Segundo o Banco Central, as instituições financeiras registraram uma inadimplência de 8% em maio.
Adriano Villela
Para cada R$ 5 reais de sua renda mensal, o consumidor brasileiro compromete pouco mais de R$ 1 com o pagamento das dívidas contraídas. O nível de comprometimento – exatos 22% - é sete pontos percentuais acima do indicador similar dos Estados Unidos, país em que o endividamento chega perto a 100% do PIB, enquanto no Brasil está 42%.
Segundo o assessor econômico do Serasa, Carlos Henrique Almeida, isso acontece porque o Brasil ainda tem juros mais altos e prazos menores, mesmo com as quedas nas taxas iniciadas em abril e a Selic estabelecida pelo Banco do Brasil abaixo dos dois dígitos.“Os prazos não são os mesmos no Brasil. O crédito está mais seletivo e a redução de juros também não vale para todo mundo. Depende do relacionamento de cada cliente”, explica o economista.Segundo o Banco Central, as instituições financeiras registraram uma inadimplência de 8% em maio.
“É um indicador muito próximo do recorde, alcançado em 2009, quando da (primeira) crise internacional. No Indicador Serasa, que é mais amplo, a inadimplência em maio foi de 6,2% em relação a abril”, completa Almeida.O economista avalia o nível de endividamento dentro da normalidade, até porque Canadá e Reino Unido, por exemplo, têm dívidas que ultrapassam 100%, mas reconhece que o comprometimento da dívida é preocupante.
Oferta de crédito estável
Os indicadores Serasa de Perspectiva de Crédito ao consumidor e às empresas ficaram estáveis em maio, o que aponta um nível mais fraco de oferta de financiamento no horizonte de seis meses. “Os elevados níveis de inadimplência e de endividamento do consumidor aliados à maior seletividade na análise e aprovação de crédito por parte das instituições financeiras deverão continuar impedindo uma recuperação mais acentuada das concessões de crédito, a despeito dos estímulos fiscais e monetários que têm sido colocados pelo governo”, observaram os economistas da empresa em nota divulgada na última segunda.
Apesar destes indicadores em alta, o assessor do Serasa acredita que o endividamento do país não atingiu uma situação crítica, prevendo inclusive uma redução a partir do último quadrimestre do ano. O endividamento com os bancos deve fechar o ano em 7%, segundo Almeida. "Não acredito que a inadimplência continue a crescer. Se a atividade econômica brasileira está caindo, é um sinal de que o consumidor botou o pé no freio (no endividamento) e começou a pagar o que deve”, avalia.
O membro do Conselho Federal da Economia pela Bahia, Paulo Dantas Costa, concorda de que a situação não aproxima o país de uma bolha de endividamento.“O que está acontecendo no Brasil tem a ver com as mudanças de classe. A classe C não está habituada a lidar com o c isse. Para Costa, o governo federal vem fazendo o seu papel na condução da economia. A questão, avalia, é de educação financeira, com tendência de redução.
Matéria produzida para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 04 de julho, na página 7.
Adriano Villela
Para cada R$ 5 reais de sua renda mensal, o consumidor brasileiro compromete pouco mais de R$ 1 com o pagamento das dívidas contraídas. O nível de comprometimento – exatos 22% - é sete pontos percentuais acima do indicador similar dos Estados Unidos, país em que o endividamento chega perto a 100% do PIB, enquanto no Brasil está 42%.
Segundo o assessor econômico do Serasa, Carlos Henrique Almeida, isso acontece porque o Brasil ainda tem juros mais altos e prazos menores, mesmo com as quedas nas taxas iniciadas em abril e a Selic estabelecida pelo Banco do Brasil abaixo dos dois dígitos.“Os prazos não são os mesmos no Brasil. O crédito está mais seletivo e a redução de juros também não vale para todo mundo. Depende do relacionamento de cada cliente”, explica o economista.Segundo o Banco Central, as instituições financeiras registraram uma inadimplência de 8% em maio.
“É um indicador muito próximo do recorde, alcançado em 2009, quando da (primeira) crise internacional. No Indicador Serasa, que é mais amplo, a inadimplência em maio foi de 6,2% em relação a abril”, completa Almeida.O economista avalia o nível de endividamento dentro da normalidade, até porque Canadá e Reino Unido, por exemplo, têm dívidas que ultrapassam 100%, mas reconhece que o comprometimento da dívida é preocupante.
Oferta de crédito estável
Os indicadores Serasa de Perspectiva de Crédito ao consumidor e às empresas ficaram estáveis em maio, o que aponta um nível mais fraco de oferta de financiamento no horizonte de seis meses. “Os elevados níveis de inadimplência e de endividamento do consumidor aliados à maior seletividade na análise e aprovação de crédito por parte das instituições financeiras deverão continuar impedindo uma recuperação mais acentuada das concessões de crédito, a despeito dos estímulos fiscais e monetários que têm sido colocados pelo governo”, observaram os economistas da empresa em nota divulgada na última segunda.
Apesar destes indicadores em alta, o assessor do Serasa acredita que o endividamento do país não atingiu uma situação crítica, prevendo inclusive uma redução a partir do último quadrimestre do ano. O endividamento com os bancos deve fechar o ano em 7%, segundo Almeida. "Não acredito que a inadimplência continue a crescer. Se a atividade econômica brasileira está caindo, é um sinal de que o consumidor botou o pé no freio (no endividamento) e começou a pagar o que deve”, avalia.
O membro do Conselho Federal da Economia pela Bahia, Paulo Dantas Costa, concorda de que a situação não aproxima o país de uma bolha de endividamento.“O que está acontecendo no Brasil tem a ver com as mudanças de classe. A classe C não está habituada a lidar com o c isse. Para Costa, o governo federal vem fazendo o seu papel na condução da economia. A questão, avalia, é de educação financeira, com tendência de redução.
Matéria produzida para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 04 de julho, na página 7.
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