ELEIÇÕES 2014: O desafio de substituir os vários Eduardo Campos

Eduardo Campos era vários líderes reunidos na mesma pessoa. Claro que os socialistas podem indicar o vice Roberto Amaral para dirigir a legenda. Seria o mais lógico. E até nomeá-lo companheiro de chapa de Marina Silva. Mas a trajetória de Eduardo Campos não se refaz da noite para o dia.

Adriano Villela

Com a provável indicação de Marina Silva como candidata a presidência, o PSB cumpriu apenas a primeira etapa de um profundo complexo. A dias do começo do programa eleitoral, a escolha do novo postulante a vice é a mais fácil das tarefas. Os peessebistas têm também de definir um presidente do partido e o principal líder emocionalmente falando.

Por mais planejada que fosse a aliança promovida por Eduardo Campos - morto tragica e precocemente na última quarta -, ninguém com um mínimo de humanidade vai se programar para uma morte. Por mais "cascuda" - para usar um termo comum nos comitês eleitorais - que seja uma campanha.

Vamos comparar com os outros concorrentes. No PT, Dilma é a atual presidente da República e candidata a reeleição. Não preside o partido e tem, a seu lado, o ex-presidente Lula, líder máximo da legenda.

No PSDB, Aécio Neves é candidato a presidente da República e encabeça o diretório nacional, mas tem no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no ex-presidenciável José Serra ou no governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nomes que podem aglutinar a legenda em sua ausência. Eduardo Campos era vários líderes reunidos na mesma pessoa.

Múltiplos líderes

Claro que os socialistas podem indicar o vice Roberto Amaral para dirigir a legenda. Seria o mais lógico. E até nomeá-lo companheiro de chapa de Marina Silva. Mas a trajetória de Eduardo Campos não se refaz da noite para o dia.

O líder vitimado no acidente aéreo foi o mentor e principal executor da estratégia que aglutinou os socialistas em torno do projeto federal. Organizou muitas campanhas estaduais e para prefeitos de cidades importantes e vitoriosas.

É também neto do grande nome histórico do partido, Miguel Arraes, e fiador de apoios externos, inclusive em termos financeiros/doador de campanha.Há resistências a Marina Silva dentro do PSB, a Eduardo muito pelo contrário. A tendência é que várias lideranças latentes que com ele militaram surjam e se articulem na tarefa de suprir suas missões. Mas o prazo até cinco de outubro torna a missão quase irrealizável.

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