60 HORAS SEMANAIS: Única vantagem da proposta é que ela já nasce condenada
Entidades empresariais confiam na gestão Temer e cobram, com certa razão, pelas reformas, mas às vezes exageram
Adriano Villela
Os trabalhadores brasileiros podem dormir sossegados quanto à proposta de ampliação da jornada para 60 horas semanais. A ideia é tão fora de propósito que não tem a menor chance de vingar. Nem a CNI, que a apresentou na sexta-feira, sustentou a medida e negou o que disse no encontro com o presidente em exercício.
Toda mudança que supostamente resolva um lado mas inviabilize o outro tende ao fracasso. A reação vai ser forte e coerente. A mão-de-obra brasileira tem pouca produtividade, é certo, mas a questão envolve a qualificação - em educação básica e nas empresas -, investimento em inovação, custo financeiro dos projetos. Nada disso seria resolvido aumentando em 50% a 100% as horas trabalhadas. O dia de todos nós só tem 24 horas.
O rombo de R$ 140 bilhões previsto para as contas da União em 2016 reacendeu a pressão dos empresários por reformas estruturais. Este foi o posicionamento manifestado pela Federação do Comércio paulista (Fecomércio-SP). Corte de gastos também está no receituário. O cenário exposto tem coerência, mas as propostas só se tornam realidade com o mínimo de limite e coerência com a realidade.
Empresas e governos tentam respirar em meio a um conjunto de casos de corrupção. Há muito tempo que o país convive com desvios. Só não se sabia que os corruptos estavam tão ramificados. Os investidores não querem pagar esta conta via aumento de impostos. Contam com meu apoio. Os trabalhadores, do mesmo modo. Se as centrais sindicais já se mobilizavam com a reforma da Previdência e as mudanças na terceirização, agora a queixa será maior. Uma reação previsível, só a CNI não viu. Foto: Sinjus

Comentários
Postar um comentário