ELEIÇÕES 2014 - Entre o papo reto e a marinada
Como qualquer postulante à reeleição, Dilma Rousseff tem menor necessidade de expor o programa de governo. É o da continuidade, com bases semelhantes ao que já vem fazendo. Não tem muito como ser diferente.
Princípios são importantes, mas insuficientes. Quanto mais detalhes Marina fornecer até o segundo turno - e mostrar qualidade nestas definições -, maiores as chances de ela confirmar o momentâneo favoritismo.
Adriano Villela
As pesquisas divulgadas hoje por Ibope e Datafolha mostram a presidente da República e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) mais próxima da rival Marina Silva (PSB) em um eventual segundo turno. Apesar da dianteira nas projeções, a concorrente socialista já deve ter percebido em debates, programas na TV e nas redes sociais que, como qualquer líder, ela é agora a rival a ser batida.
Entendo a campanha eleitoral como uma disputa de espaços. Sempre se deve buscar melhorar sua situação no eleitorado. Ou para quem já jogou War, seja qual for seu objetivo, quem tem mais territórios leva vantagem.
Um dos autores mais consagrados sobre Estratégia, Michael Porter define em sua matriz Swot que toda organização tem ameaças e oportunidades, forças e fraquezas. Com os presidenciáveis, isso ocorre. Para evitar que sua marinada seja mal preparada e termine em indigestão, os socialistas devem atacar a principal fraqueza de sua candidata, qual seja, a imprevisibilidade de seu programa de governo.
Não estou aqui dando nenhum privilégio à candidata governista, mas como qualquer postulante à reeleição, Dilma Rousseff tem menor necessidade de expor o programa de governo. É o da continuidade, com bases semelhantes ao que já vem fazendo. Não tem muito como ser diferente.
Já Marina está no campo oposto. Ministra do Meio Ambiente no PT, candidata a presidente em 2010 pelo PV, postulante a vice na chapa de Eduardo Campos como líder do movimento Rede Sustentabilidade, ela lidera agora a chapa majoritária levando às ruas uma mescla do programa da Rede com a do PSB.
Vejo como pouco proveitosas as críticas à presidenciável do PSB quanto a sua religiosidade. Lembra o moralismo do debate sobre o aborto do tucano José Serra em 2010. Mas o debate sobre propostas, bandeiras e projetos é o que há de mais pertinente em uma corrida eleitoral. Caberá a Marina não só dizer se é a favor da matriz hidrelétrica ou sobre os trangênicos ou até mesmo sobre a inflação.
A candidata do PSB terá que entrar em detalhes e falar sobre obras específicas, como Girau, Belo Monte. Isso em todas as áreas de ação federal, como aeroportos, portos, trem-bala, transposição do São Francisco, analfabetismo, segurança, Mais Médico, CPMF, Copom, entre vários outros tópicos. Precisará mostrar papo reto, apesar do termo ser de autoria do outro concorrente menos cotado, Aécio Neves (PSDB).
Princípios são importantes, mas insuficientes. Quanto mais detalhes Marina fornecer até o segundo turno - e mostrar qualidade nestas definições -, maiores as chances de ela confirmar o momentâneo favoritismo.
Adriano Villela
As pesquisas divulgadas hoje por Ibope e Datafolha mostram a presidente da República e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) mais próxima da rival Marina Silva (PSB) em um eventual segundo turno. Apesar da dianteira nas projeções, a concorrente socialista já deve ter percebido em debates, programas na TV e nas redes sociais que, como qualquer líder, ela é agora a rival a ser batida.
Entendo a campanha eleitoral como uma disputa de espaços. Sempre se deve buscar melhorar sua situação no eleitorado. Ou para quem já jogou War, seja qual for seu objetivo, quem tem mais territórios leva vantagem.
Um dos autores mais consagrados sobre Estratégia, Michael Porter define em sua matriz Swot que toda organização tem ameaças e oportunidades, forças e fraquezas. Com os presidenciáveis, isso ocorre. Para evitar que sua marinada seja mal preparada e termine em indigestão, os socialistas devem atacar a principal fraqueza de sua candidata, qual seja, a imprevisibilidade de seu programa de governo.
Não estou aqui dando nenhum privilégio à candidata governista, mas como qualquer postulante à reeleição, Dilma Rousseff tem menor necessidade de expor o programa de governo. É o da continuidade, com bases semelhantes ao que já vem fazendo. Não tem muito como ser diferente.
Já Marina está no campo oposto. Ministra do Meio Ambiente no PT, candidata a presidente em 2010 pelo PV, postulante a vice na chapa de Eduardo Campos como líder do movimento Rede Sustentabilidade, ela lidera agora a chapa majoritária levando às ruas uma mescla do programa da Rede com a do PSB.
Vejo como pouco proveitosas as críticas à presidenciável do PSB quanto a sua religiosidade. Lembra o moralismo do debate sobre o aborto do tucano José Serra em 2010. Mas o debate sobre propostas, bandeiras e projetos é o que há de mais pertinente em uma corrida eleitoral. Caberá a Marina não só dizer se é a favor da matriz hidrelétrica ou sobre os trangênicos ou até mesmo sobre a inflação.
A candidata do PSB terá que entrar em detalhes e falar sobre obras específicas, como Girau, Belo Monte. Isso em todas as áreas de ação federal, como aeroportos, portos, trem-bala, transposição do São Francisco, analfabetismo, segurança, Mais Médico, CPMF, Copom, entre vários outros tópicos. Precisará mostrar papo reto, apesar do termo ser de autoria do outro concorrente menos cotado, Aécio Neves (PSDB).
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