ELEIÇÕES 2014 Contrataque governista
A reação de Dilma não deve ficar centrada na TV. Ir às redes sociais com mais ênfase e dialogar de forma mais estreita com os movimentos sociais que lideraram as manifestações de 2013 viraram ações igualmente estratégicas
Adriano Villela
Como Marina eu ainda estou acompanhando seus dias de candidata na condição de vidraça, vamos a Dilma Rousseff. Quando competia contra Aécio, ela era favorita exclusiva - líder nas pesquisas, única entre os grandes com experiência em eleição presidencial, sustentada pela máquina, detentora de uma generosa dianteira do tempo da TV e apoiada por um líder indiscutivelmente carismático. A atual presidente reunia todos os diferenciais mais significativos. Hoje, divide com a rival do PSB alguns destes predicados.
Ainda assim, não tenho dúvida, reúne condições de revirar o jogo. O PT disputou todas as eleições presidenciais pós redemocratização ou como favorito ou como principal adversário do protagonista. Isso dá um expertise, crucial especialmente no segundo turno, onde tudo é mais rápido e decisivo.
Mas uma coisa precisa ficar claro: uma reação governista é possível, mas não é inevitável que isso aconteça. Dilma - sua campanha - precisa produzir fatos novos que modifiquem o cenário e, desde 2012, o eleitorado vem sinalizando que não é qualquer movimento capaz de mudar o rumo do jogo. Parece que PT e partidos coligados não acreditavam que a terceira via vingaria. Agora que ela engrossou o pescoço, correr atrás ficou mais difícil.
Expor as contradições marinistas é algo importante para a presidente, mas não o suficiente. Ela vai precisar mostrar porquê é mais útil - em que ela é melhor e insuperável - do que a mudança ora proposta. Senão, cai no velho caminho de jogar no erro do adversário dos tucanos. Que não dá certo há 12 anos. E a reação de Dilma não deve ficar centrada na TV. Ir às redes sociais com mais ênfase e dialogar de forma mais estreita com os movimentos sociais que lideraram as manifestações de 2013 viraram ações igualmente estratégicas. Fica a dica.
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