FUTEBOL: Temos nosso Zagallo, ou o mea culpa de um tricolor
No futebol, como na vida, ganhar ou perder é do jogo. O que não aceito é deixar de lutar. De um modo peculiar, Marquinhos Santos conseguiu fazer do Bahea um time que busca o resultado, disputa a bola, tenta impor um estilo de jogo.
Adriano Villela
Quando o Bahea foi eliminado no Nordestão ou perdeu a primeira no Baiano, muitos tricolores defenderam a saída do técnico Marquinhos Santos. Pouco a pouco, porém, o treinador foi moldando a equipe, fazendo vencedor um time com deficiências. Pode até perder o título, mas já deixa o seu legado. Por isso, merece o "mea culpa".
No futebol, como na vida, ganhar ou perder é do jogo. O que não aceito é deixar de lutar. De um modo peculiar, Marquinhos Santos conseguiu fazer do Bahea um time que busca o resultado, disputa a bola, tenta impor um estilo de jogo.
Comparando este time com o campeão de 2012, a equipe de Falcão era mais técnica. Dava gosto de ver o time jogar, principalmente quando Morais tava em campo e Helder, em forma. Mas naufragou em pleno Brasileiro, quando precisou marcar mais e ficou sem laterais.
Hoje, o time passa a nítida sensação de administrar até 0x0. Ainda erra muitos passes e Maxi se especializou em perder gols incríveis. Jogadores como Branquinho e Rafinha (mais pelas contusões) estão em débito. A zaga cochila menos, mais ainda apresenta alguns vacilos.
Mas o grupo ganhou competitividade. Está, a meu ver, mais pronto para o Brasileiro, em que será muito mais atacado do que em jogos contra Jacuipense, Serrano e Vila Nova-MG. É sintomático que, quando enfrentou dificuldades contra estes times, o Bahea sempre achou uma solução para conquistar o resultado.
Prefiro Rafael Miranda no lugar de Uelington, não entendo a insistência com Wangler e as poucas oportunidades dadas a Rafael Gladiador. Ora, Marcão jogou umas quatro partidas e marcou um, meio sem querer. Rafael atuou só meio jogo.
Entretanto, me parece claro que Marquinhos Santos fez o grupo colocando a sua marca. Ao invés de reformular todo o grupo, como Jorginho em 2013 após fracassar no Nordestão, o atual "professor" foi mudando aos poucos. Com Diego Macedo, resolveu os problemas na lateral. Observou atletas da base, como os laterais Railan e Pará e o atacante Jeam, deu uma nova estrutura no meio com Uelinton e Lincoln.
O mais impressionante foi inventar Talisca - um ótimo meia - em atacante. Qualquer um de juízo rejeitaria esta solução. Mas deu certo. Talisca continuou marcando e sendo o único a dar velocidade no meio. Decididamente, Marquinhos Santos é o Zagallo tricolor.
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