ELEIÇÕES 2014: O futuro da sucessão com a ressaca da aliança PT e PMDB


Uma parte até continuaria com a coligação liderada pelo PT de Lula e Dilma. A outra apoiaria a candidatura de oposição que mais se aproximar dos votos governistas. Nesta hipótese, embolaria em muito o tabuleiro eleitoral. Mas nada que defina o quadro.

Adriano Villela

Ao contribuir (decisivamente, diga-se) com duas derrotas seguidas do governo federal, o PMDB deu um recado claro: pode, sim, romper com o governo Dilma e lhe trazer contratempos eleitorais. Até aqui, nada de novo. O detalhe que pretendo aprofundar é o formato.
Ao abrir investigações e convocar auxiliares diretos da presidente, o Congresso não fez nada de irremediável. Apenas fez o Palácio do Planalto sangrar um pouco. A própria Dilma Rousseff saiu-se bem em um depoimento ao Senado, quando era ministra da Casa Civil.

Numa primeira avaliação é fácil supor que os peemedebistas podem manter a aliança eleitoral ou cair fora do governo. Abrir mão de cargos no último ano do mandato não é tão arriscado. O ar de Brasília já respira mais 2015 do que este ano.

Acontece que lançar uma candidatura própria a essa altura do campeonato é arriscado. Dilma é atual ocupante do cargo e está na dianteira das pesquisas; o tucano Aécio Neves é, por definição, o principal nome da oposição; e Eduardo Campos, contando com a Rede e os votos de Marina Silva (a terceira colocada em 2010), consolida-se como opção de terceira via. Só um grande fenômeno surgiria agora com chances reais de vencer e manter os peemedebistas no poder.

Com uma base municipal - número de prefeitos - muito forte, o partido do vice-presidente Michel Temer pode almejar manter este posto em uma das chapas antigoverno. Teria, contudo, a concorrência da Rede, na chapa do peessebista Eduardo Campos, e do DEM, parceiro histórico do tucanato nacional.
Poderia, e é até bem provável que isto ocorra, manter-se neutro.

Uma parte até continuaria com a coligação liderada pelo PT de Lula e Dilma. A outra apoiaria a candidatura de oposição que mais se aproximar dos votos governistas. Nesta hipótese, embolaria em muito o tabuleiro eleitoral. Mas nada que defina o quadro. Passado o Carnaval, ainda teremos a Quaresma, a Páscoa, as convenções partidárias, a Copa do Mundo, o início da campanha, os programas de Rádio e TV e, somente no último mês da campanha, a jornada afunila para a decisão das urnas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTADO: Empresários italianos conhecem oportunidades de negócios no Nordeste

AGENDA BAHIA: Soluções para cidades sustentáveis é tema de fórum

OMC: País deve recorrer de decisão contra subsídio