ELEIÇÕES 2014: E as vozes das ruas?
O que mais me surpreende é este distanciamento em um momento - com o peso das redes sociais, onde mobilizar corações vale mais do que a razão dos argumentos - em que gerar fatos políticos é tão decisivo.
Adriano Villela
Passados seis, sete meses do epicentro das manifestações do MPL, Blacks Blocs e fora Copa, uma coisa despertou minha atenção: a falta de candidatos vindos da rua. Não falo alguém diretamente saído daqueles protestos - antipartidos e antiprotestos por essência. Refiro-me alguém das camadas populares, dos movimentos sociais. Não custa lembrar: a principal liderança do grupo que dita as regras no Planalto saiu da organização sindical.
Talvez esta seja um dos pontos que dificulta a definição do candidato das oposições na sucessão estadual. Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB) são conhecidos como bons administradores - até por lideranças políticas contrárias. Não acredito que se um dos dois for eleito vá virar as costas para questões sociais, mas não têm um vínculo popular, uma proximidade com as ruas que dê sustentação às suas candidaturas.
O ex-prefeito João Henrique, desde o primeiro mandato, quando ainda não tinha contas rejeitadas no Tribunal de Contas, era conhecido como gestor ruim, mas seu envolvimento contra as taxas de lixo e iluminação bem como a shoppings cobrar estacionamentos geraram desdobramentos que garantiram a sua proximidade com as ruas e, em consequência, a reeleição.
As candidaturas já postas também padecem de mal semelhante. A senadora Lídice da Mata é oriunda do movimento estudantil e o secretário Rui Costa da área sindical. Mas em nenhum dos dois a origem foi preponderante na definição das suas candidaturas, determinadas politicamente pelo presidenciável Eduardo Campos e pelo governador Jaques Wagner. A vitória para o Senado em 2010 e o apoio do Palácio de Ondina podem compensar, mas a ausência de uma realização com reconhecimento social também pode interferir. Como oposição, Geddel ou Souto tem uma tarefa mais árdua, pois o escolhido terá que quebrar o serviço do adversário, isto é desmontar o discurso hora hegemônico.
O que mais me surpreende é este distanciamento em um momento - com o peso das redes sociais, onde mobilizar corações vale mais do que a razão dos argumentos - em que gerar fatos políticos é tão decisivo. Partidos e coligações primeiro estão escolhendo nomes, depois conversando com as bases para convencê-las que estes são os melhores.
Adriano Villela
Passados seis, sete meses do epicentro das manifestações do MPL, Blacks Blocs e fora Copa, uma coisa despertou minha atenção: a falta de candidatos vindos da rua. Não falo alguém diretamente saído daqueles protestos - antipartidos e antiprotestos por essência. Refiro-me alguém das camadas populares, dos movimentos sociais. Não custa lembrar: a principal liderança do grupo que dita as regras no Planalto saiu da organização sindical.
Talvez esta seja um dos pontos que dificulta a definição do candidato das oposições na sucessão estadual. Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB) são conhecidos como bons administradores - até por lideranças políticas contrárias. Não acredito que se um dos dois for eleito vá virar as costas para questões sociais, mas não têm um vínculo popular, uma proximidade com as ruas que dê sustentação às suas candidaturas.
O ex-prefeito João Henrique, desde o primeiro mandato, quando ainda não tinha contas rejeitadas no Tribunal de Contas, era conhecido como gestor ruim, mas seu envolvimento contra as taxas de lixo e iluminação bem como a shoppings cobrar estacionamentos geraram desdobramentos que garantiram a sua proximidade com as ruas e, em consequência, a reeleição.
As candidaturas já postas também padecem de mal semelhante. A senadora Lídice da Mata é oriunda do movimento estudantil e o secretário Rui Costa da área sindical. Mas em nenhum dos dois a origem foi preponderante na definição das suas candidaturas, determinadas politicamente pelo presidenciável Eduardo Campos e pelo governador Jaques Wagner. A vitória para o Senado em 2010 e o apoio do Palácio de Ondina podem compensar, mas a ausência de uma realização com reconhecimento social também pode interferir. Como oposição, Geddel ou Souto tem uma tarefa mais árdua, pois o escolhido terá que quebrar o serviço do adversário, isto é desmontar o discurso hora hegemônico.
O que mais me surpreende é este distanciamento em um momento - com o peso das redes sociais, onde mobilizar corações vale mais do que a razão dos argumentos - em que gerar fatos políticos é tão decisivo. Partidos e coligações primeiro estão escolhendo nomes, depois conversando com as bases para convencê-las que estes são os melhores.
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