Explosão de sensações
Em “Clube da Insônia” – também nome de seu primeiro canal na internet - o músico e agora escritor busca levar o leitor a um mergulho na escuridão para compartilhar seus medos e seu inconformismo. Não só no sentido de madrugada – momento de bastante intensidade na rotina de um músico – mas também na apropriação metafórica, de incerteza.
Adriano Villela*
Depois de o líder dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, lançar o livro Nas Linhas do Horizonte (2012), outro roqueiro este mês tira do forno um livro baseado em textos produzidos para um blog. É Tico Santa Cruz, do Detonautas Roque Clube, que ao contrário do gaúcho, fez um trabalho de estilo mesclado. Nos 22 capítulos de Clube da Insônia – lançado no dia 16 de julho, pela Belas Letras - Santa Cruz passeia do drama à poesia, passando por narrativas de pequenas histórias e várias crônicas de impressões pessoais.
Santa Cruz apresenta neste último estilo a sua marca pessoal como escritor. De boa lírica, a voz em primeira pessoa atravessa toda a obra, que se assemelha às inquietações da mente durante uma noite sem dormir. Porém, em sua primeira obra nesta linguagem, o vocalista se perde quando mistura poesia e histórias num mesmo capítulo. Com muito esforço, é possível identificar o sentido do seu raciocínio. Mas não deixa de ser desagradável. Mesmo com 102 páginas, Clube da Insônia não pode ser lido de uma só vez.
Quando sai da poesia, o músico-escritor revelou talento de sobra em Paz.exe, em que conta diversas fases da vida de um menino de rua de trajetória mais comum. A subjetividade da fala, sempre em primeira pessoa e carregada de emotividade, enriquece o texto. Nos capítulos em que opta pela estrofe, explora a sátira política em Senado Finando e dá vez aos dilemas existenciais em Aperte o verde. "De fato, somos uma soma de somas, divisões, subtrações/Abstrações, conclusões, confusões/ Existe sorte, existe determinação, existe boa vontade/ Existe preguiça, existe ignorância, existe maldade”.
Tico Santa Cruz - nascido Luis Guilherme Brunetta Fontenelle de Araújo – não busca rimas nem métricas perfeitas, mas possui uma escrita segura, com raríssimos erros e um esmero e domínio de excelência na escolha de termos e estruturas de frases. O ritmo é muito bom. Já o humor é mais direto, como em Direto da Redação. No único capítulo que não usa a primeira pessoa, navega pela mente de um gato castrado.
Em “Clube da Insônia” – também nome de seu primeiro canal na internet - o músico e agora escritor busca levar o leitor a um mergulho na escuridão para compartilhar seus medos e seu inconformismo. Não só no sentido de madrugada – momento de bastante intensidade na rotina de um músico – mas também na apropriação metafórica, de incerteza.
No blog, segundo seu autor divulgou no espaço, publica “textos variados, manifestos, contos eróticos, poemas, letras de músicas com ênfase nos temas relacionados a cidadania e a juventude”. O autor nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Idealizou o grupo Voluntários da pátria, que promove apresentações de música, poesia e debates sócio-políticos em escolas, universidades públicas e particulares e penitenciárias.
Já nos Detonautas, tudo começou em 1997, num bate-papo na internet – via chat - com Eduardo Simão em que perguntou simplesmente se alguém tocava um instrumento. O início pela internet virou notícia e no mesmo ano o Detonautas começou a se apresentar. Lançou o primeiro disco em 2002 e está agora no quarto álbum. Tem entre os seus maiores sucessos a música “Quando o sol se for”.
Tal qual no livro, Santa Cruz não segue uma mesma linha de atuação na música. Em 2010, Tico fez uma turnê como vocalista convidado da banda Raimundos e participou do programa “A Fazenda 3”, reality show da TV Record. Escreve ainda uma coluna semanal para o jornal O Dia, e colabora para as revistas “Onda Carioca”, de temática ecológica, e M...
Resenha produzida para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 20 de julho
Adriano Villela*
Depois de o líder dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, lançar o livro Nas Linhas do Horizonte (2012), outro roqueiro este mês tira do forno um livro baseado em textos produzidos para um blog. É Tico Santa Cruz, do Detonautas Roque Clube, que ao contrário do gaúcho, fez um trabalho de estilo mesclado. Nos 22 capítulos de Clube da Insônia – lançado no dia 16 de julho, pela Belas Letras - Santa Cruz passeia do drama à poesia, passando por narrativas de pequenas histórias e várias crônicas de impressões pessoais.
Santa Cruz apresenta neste último estilo a sua marca pessoal como escritor. De boa lírica, a voz em primeira pessoa atravessa toda a obra, que se assemelha às inquietações da mente durante uma noite sem dormir. Porém, em sua primeira obra nesta linguagem, o vocalista se perde quando mistura poesia e histórias num mesmo capítulo. Com muito esforço, é possível identificar o sentido do seu raciocínio. Mas não deixa de ser desagradável. Mesmo com 102 páginas, Clube da Insônia não pode ser lido de uma só vez.
Quando sai da poesia, o músico-escritor revelou talento de sobra em Paz.exe, em que conta diversas fases da vida de um menino de rua de trajetória mais comum. A subjetividade da fala, sempre em primeira pessoa e carregada de emotividade, enriquece o texto. Nos capítulos em que opta pela estrofe, explora a sátira política em Senado Finando e dá vez aos dilemas existenciais em Aperte o verde. "De fato, somos uma soma de somas, divisões, subtrações/Abstrações, conclusões, confusões/ Existe sorte, existe determinação, existe boa vontade/ Existe preguiça, existe ignorância, existe maldade”.
Tico Santa Cruz - nascido Luis Guilherme Brunetta Fontenelle de Araújo – não busca rimas nem métricas perfeitas, mas possui uma escrita segura, com raríssimos erros e um esmero e domínio de excelência na escolha de termos e estruturas de frases. O ritmo é muito bom. Já o humor é mais direto, como em Direto da Redação. No único capítulo que não usa a primeira pessoa, navega pela mente de um gato castrado.
Em “Clube da Insônia” – também nome de seu primeiro canal na internet - o músico e agora escritor busca levar o leitor a um mergulho na escuridão para compartilhar seus medos e seu inconformismo. Não só no sentido de madrugada – momento de bastante intensidade na rotina de um músico – mas também na apropriação metafórica, de incerteza.
No blog, segundo seu autor divulgou no espaço, publica “textos variados, manifestos, contos eróticos, poemas, letras de músicas com ênfase nos temas relacionados a cidadania e a juventude”. O autor nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Idealizou o grupo Voluntários da pátria, que promove apresentações de música, poesia e debates sócio-políticos em escolas, universidades públicas e particulares e penitenciárias.
Já nos Detonautas, tudo começou em 1997, num bate-papo na internet – via chat - com Eduardo Simão em que perguntou simplesmente se alguém tocava um instrumento. O início pela internet virou notícia e no mesmo ano o Detonautas começou a se apresentar. Lançou o primeiro disco em 2002 e está agora no quarto álbum. Tem entre os seus maiores sucessos a música “Quando o sol se for”.
Tal qual no livro, Santa Cruz não segue uma mesma linha de atuação na música. Em 2010, Tico fez uma turnê como vocalista convidado da banda Raimundos e participou do programa “A Fazenda 3”, reality show da TV Record. Escreve ainda uma coluna semanal para o jornal O Dia, e colabora para as revistas “Onda Carioca”, de temática ecológica, e M...
Resenha produzida para o jornal Tribuna da Bahia, publicada na edição de 20 de julho
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