ELEIÇÕES 2012: Pesquisa deve afetar estratégia no debate


Urge a Márcio Marinho e Mário Kértesz chegar já no programa eleitoral, a começar no dia 21, com uma velocidade maior. Senão, acompanharão a polarização da campanha entre um candidato com mais tempo na TV e outro liderando a pesquisa até então divulgada

Adriano Villela

As equipes de coordenação política e de marketing negam, mas certamente as últimas pesquisas do Ibope influenciarão no debate de amanhã, com os prefeituráveis de Salvador, na TV Aratu. Não somente pela dianteira de ACM Neto (DEM), posição por ele alcançada há quatro anos - feito passageiro que sequer garantiu um lugar no segundo turno. Mas principalmente pela inédita rejeição ao governo de Jaques Wagner.

Em Feira de Santana, José Ronaldo (DEM) ganhou as três últimas eleições - a última apoiando Tarcízio Pimenta, hoje no PDT. Perder a eleição nas duas maiores cidades para o principal partido adversário é um risco alto para o PT baiano no contexto atual, em que greves e ameaça de desistência da JAC Motors contaminaram a imagem do governo. O prefeiturável Nelson Pelegrino tem as vantagens de contar com um exército de partidos e candidatos a vereador levando seu nome, maior tempo na TV (programa e comerciais) e a chance de contar com Lula e Dilma em seu palanque. Derrotado em 2008, o hoje senador Walter Pinheiro não contou com a presença física da popularidade recorde do ex-presidente. Mas precisa arrancar o quanto antes.

ACM Neto, por seu lado, pode chegar desta vez. Menosprezá-lo não me parece uma atitude sensata. Se quiser ganhar desta vez, o democrata deve fazer o dever de casa. O primeiro passo, já no debate, é fugir do já ganhou, que ajudou a derrubar o grupo político dele em 2006. É correto o candidato do DEM não se importar com as brincadeiras relativas a sua idade e pouca estatura. Bom humor é necessário, mas usá-las como trunfo é arriscado. ACM Neto deve, ao contrário, mostrar maturidade como pesssoa, como personalidade pública e do seu projeto político, reforçado este ano pela aliança do PV. Provar mudança com relação ao antigo PFL é fundamental, e um passo para tanto é pedir desculpas públicas por ter ameaçado dar uma surra em Lula, num discurso no Congresso em 2005.

A Mário Kértesz (PMDB) é reservado o mesmo desafio, sem os trunfos de Pelegrino. Radialista a 18 anos, sua oratória é mais desenvolvida. Inquestionavelmente, possui habilidades maiores que os concorrentes na hora do debate. Mas isso não apareceu até agora. Seu marketing trabalha elementos diferentes dos adversários - cada um opta por caminhos específicos - mas sem uma inovação. Segue, no atacado, o mesmo receituário dos demais. Na realidade, sua arrancada já era para ter começado, sob pena de ser alcançado por Márcio Marinho (PRB).

Mais por origem religiosa, o Bispo Marinho também tende a usar um discurso privilegiado, embora  isso não seja ponto fraco nem de Pelegrino, nem de ACM Neto. Porém, a igreja evangélica tem uma força política nada desprezível e, por oito anos, o PRB foi o partido do vice-presidente da república. Marinho pode ser a terceira via - o representante de um modelo não testado na prefeitura nem no governo do Estado -, mas com estrutura partidária mais sólida do que o PV de Marina Silva.

Urge a Márcio Marinho e Mário Kértesz chegar já no programa eleitoral, a começar no dia 21, com uma velocidade maior. Senão, acompanharão a polarização da campanha entre um candidato com mais tempo na TV e outro liderando a pesquisa até então divulgada. A grande chance é amanhã, pois a internet - até então - se apresenta neste ano com o mais do mesmo, sem nenhuma mudança significativa.

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