ELEIÇÕES 2014: O conceito de vacina e a dianteira de Dilma
Ao anunciar a revisão nas leis trabalhistas, a socialista foi rebatida com a clássica expressão "nem que a vaca tussa". Foi o melhor momento de Dilma na campanha. Dai, o discurso de que mais importante era proteger salários e empregos - ao invés do PIB - subiu rápido, até porque o desemprego está em baixa histórica.
Adriano Villela
Reiteradas pesquisas apontam para a vitória da candidata a reeleição e presidente da República, Dilma Rousseff(PT), ante o "desafiante" Aécio Neves, no segundo turno das eleições deste ano. Olhando sob a ótica de alguns fatores do marketing político, encourajo-me a dizer que as pesquisas acertarão desta vez. E mais: o debate de hoje, na Rede Globo, pouco ou nada vai alterar o quadro.
A campanha governista foi mais eficiente na diferenciação de sua candidatura, especialmente nas "vacinas" - estratégias eleitorais visando neutralizar pontos vulneráveis das candidaturas. Dilma entrou na própria sucessão com dois grandes pontos negativos: a Petrobrás - envolvida na controvertida compra de Passadena, em denúncias de corrupção, na queda de suas ações e na ameaça inflacionária do represamento do preço da gasolina - e uma economia com expansão tímida, o famoso pibinho.
A questão econômica foi derrubada após um descuido da primeira oponente a demonstrar força, Marina Silva (PSB). Ao anunciar a revisão nas leis trabalhistas, a socialista foi rebatida com a clássica expressão "nem que a vaca tussa". Foi o melhor momento de Dilma na campanha. Dai, o discurso de que mais importante era proteger salários e empregos - ao invés do PIB - subiu rápido, até porque o desemprego está em baixa histórica. Não evolui muito essa versão de que o Brasil vive pleno emprego porque muitos desistiram de procurar uma colocação. Mesmo esta interpretação não nega que há mais empregos do que na época do tucano Fernando Henrique Cardoso. O fato - objetivo, verificável por qualquer um que entenda do assunto - fala mais alto do que a versão, sempre subjetiva.
Já a questão da corrupção - ponto da Petrobrás mais abordado por Aécio - foi debelada por uma forma inusitada, ousada e criativa. Vista no ano passado como ponto vulnerável, a condenação de líderes petistas no processo do mensalão. A candidata a reeleição, em debates, entrevistas e no programa de TV, martela a idéia de que no governo dela os casos de corrupção são apurados, ao contrário da época tucana, em que os envolvidos "estão todos soltos". A frase encaixou bem no conceito. A falta de um condenado do grupo de Aécio foi colocada como um gesto de impunidade, e não de que não haveria corrupção. O "desafiante" não conseguiu uma resposta que demonstrasse o interesse pela apuração.
Acredito que tanto Dilma como Aécio pegaram pesado no tom. A questão do não saber tratar uma mulher requisitou um elenco mais nítido de evidências. Mas o empate favorece Dilma. Ela já ganhou uma eleição. É o tucano que tem a obrigação de "quebrar o serviço", mostrar-se superior, contradizer o discurso que levou a sua adversária ao Planalto há quatro anos. Como contraponto, achei que a campanha petista teve Lula sumido em alguns momentos. Ex-presidente e líder principal do partido desde a fundação, há 34 anos, Lula não deveria sair do lado da sua pupila, nem que para isso se repetisse muito as mesmas imagens.
Adriano Villela
Reiteradas pesquisas apontam para a vitória da candidata a reeleição e presidente da República, Dilma Rousseff(PT), ante o "desafiante" Aécio Neves, no segundo turno das eleições deste ano. Olhando sob a ótica de alguns fatores do marketing político, encourajo-me a dizer que as pesquisas acertarão desta vez. E mais: o debate de hoje, na Rede Globo, pouco ou nada vai alterar o quadro.
A campanha governista foi mais eficiente na diferenciação de sua candidatura, especialmente nas "vacinas" - estratégias eleitorais visando neutralizar pontos vulneráveis das candidaturas. Dilma entrou na própria sucessão com dois grandes pontos negativos: a Petrobrás - envolvida na controvertida compra de Passadena, em denúncias de corrupção, na queda de suas ações e na ameaça inflacionária do represamento do preço da gasolina - e uma economia com expansão tímida, o famoso pibinho.
A questão econômica foi derrubada após um descuido da primeira oponente a demonstrar força, Marina Silva (PSB). Ao anunciar a revisão nas leis trabalhistas, a socialista foi rebatida com a clássica expressão "nem que a vaca tussa". Foi o melhor momento de Dilma na campanha. Dai, o discurso de que mais importante era proteger salários e empregos - ao invés do PIB - subiu rápido, até porque o desemprego está em baixa histórica. Não evolui muito essa versão de que o Brasil vive pleno emprego porque muitos desistiram de procurar uma colocação. Mesmo esta interpretação não nega que há mais empregos do que na época do tucano Fernando Henrique Cardoso. O fato - objetivo, verificável por qualquer um que entenda do assunto - fala mais alto do que a versão, sempre subjetiva.
Já a questão da corrupção - ponto da Petrobrás mais abordado por Aécio - foi debelada por uma forma inusitada, ousada e criativa. Vista no ano passado como ponto vulnerável, a condenação de líderes petistas no processo do mensalão. A candidata a reeleição, em debates, entrevistas e no programa de TV, martela a idéia de que no governo dela os casos de corrupção são apurados, ao contrário da época tucana, em que os envolvidos "estão todos soltos". A frase encaixou bem no conceito. A falta de um condenado do grupo de Aécio foi colocada como um gesto de impunidade, e não de que não haveria corrupção. O "desafiante" não conseguiu uma resposta que demonstrasse o interesse pela apuração.
Acredito que tanto Dilma como Aécio pegaram pesado no tom. A questão do não saber tratar uma mulher requisitou um elenco mais nítido de evidências. Mas o empate favorece Dilma. Ela já ganhou uma eleição. É o tucano que tem a obrigação de "quebrar o serviço", mostrar-se superior, contradizer o discurso que levou a sua adversária ao Planalto há quatro anos. Como contraponto, achei que a campanha petista teve Lula sumido em alguns momentos. Ex-presidente e líder principal do partido desde a fundação, há 34 anos, Lula não deveria sair do lado da sua pupila, nem que para isso se repetisse muito as mesmas imagens.
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