ELEIÇÕES 2014: Aécio, um guerreiro para perder ou para ganhar


O problema agora, para Aécio, é que as urnas sabem afagar ou punir. Perdendo, ele vai encarar um cenário duríssimo no Congresso. A candidatura tucana em 2018 terá que ser disputada dia a dia, discurso a discurso, sessão a sessão com o senador paulista José Serra. Quem sabe agora se corrija os dois graves problemas peessedebistas este ano: a divisão interna e a lentidão até entrar no jogo eleitoral.

Adriano Villela

Muito embora acredite que a presidente Dilma Rousseff vai ser reeleita no próximo domingo, não posso deixar de destacar o espírito guerreiro do candidato Aécio Neves. Se Marina Silva tropeçou nas próprias atitudes e escolha, o ex-governador de Minas tentou com todas as forças que encontrou. Desacreditado em dois terços do primeiro turno por muitos analistas - também queimei minha língua nessa - o mineiro foi á luta, aceitou o embate com Marina e criou as condições para subir nas pesquisas.Foi um jogador aguerrido e competitivo, que valoriza uma vitória eleitoral do adversário. Ganhando ou perdendo, deixou - a meu ver - os oponentes tucanos das eleições passadas - o senador eleito José Serra e o governador paulista Geraldo Alckmin como aprendizes.
Mas, claro, a estratégia tucana cometeu seus pecados. Falar que vai continuar ou  aperfeiçoar ações do governo atual ou colocar o seu partido como pai do bolsa-família foi colocar azeitona na empada adversária.  O conceito de Coração Valente governista foi inteligente, reforçando o lado emocional da presidente por uma característica que ela realmente tem. Gerente por definição, Dilma Rousseff é mais racional. Longe de ser uma pessoa de grande sensibilidade aparente, mas indiscutivelmente é corajosa. Enfrenta Ditadura, câncer, eleição acirrada, manifestação.
Já a mudança de Aécio não ficou claro. O oposicionista falou em medidas necessárias e impopulares na economia, mas não disse quais. Previsibilidade diz muito pouco. Um aluno com péssimas notas prevê que vai perder de ano, e isso não quer dizer algo bom. O Brasil vai crescer este ano menos de 1% do Produto Interno Bruto. Mas nenhuma eleição cai do céu. Caberia a Aécio dizer o que não foi feito na economia na era Dilma e o que ele propõe para reverter o quadro. Além de explicar as implicações sociais do pibinho.
Vi Tancredo muito distante da campanha. Tinha 11, 12 anos na época das Diretas Já e na eleição do avô de Aécio, mas toda aquela movimentação política era muito presente naquela época. Imagine para os adultos. Aécio participou dos comício das Diretas, um marco indiscutível na redemocratização brasileira. Mesmo com a distância do tempo, Tancredo de Almeida Neves foi um líder capaz de fazer frente a Lula. Até porque, hospitalizado na véspera da posse, Tancredo morreu sem assumir. Entrou para a história como o líder que devolveu o governo brasileiro a civis sem a carga das cobranças da gestão.
O problema agora, para Aécio, é que as urnas sabem afagar ou punir. Perdendo, ele vai encarar um cenário duríssimo no Congresso. A candidatura tucana em 2018 terá que ser disputada dia a dia, discurso a discurso, sessão a sessão com o senador paulista José Serra. Quem sabe agora se corrija os dois graves problemas peessedebistas este ano: a divisão interna e a lentidão até entrar no jogo eleitoral.

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