OPINIÃO: Carnaval de 2012 será mais de raiz
Tomará que a experiência sirva para mostrar que, parafraseando o hino do meu Bahea, no Carnaval essa voz do povo é o nosso alento. O pipoca fez o Carnaval da cidade da Bahia e não pode ser retirado dele. A greve mostrou a necessidade de a segurança pública ser repensada. Não se deve esperar uma crise para só depois a folia baiana ser repensada.
Por Adriano Villela
Há aproximadamente um ano, saíamos de um reinado de Momo com a perspectiva clara da perda da identidado de Carnaval de Salvador. O declínio do público no circuito Osmar, o Campo Grande-Rua Carlos Gomes, a outrora denominada Avenida, mostra isso.Até os anos 80, o circuito do Carnaval era este. O trajeto Barra Ondina surgiu depois, fruto em parte da explosão comercial da festa.
Camarotes cada vez ocupando o espaço das calçadas defronte à pista por onde passam os trios ajudam a tornar o Carnaval baiano cada vez menos de rua, império do folião pipoca, popular, sem filiação a qualquer bloco de abadás.
Não sou contra o desenvolvimento comercial da música baiana, a chamada economia do lúdico. Foi ela o responsável por torná-la tão conhecida e admirada internacionalmente. Porém, é preciso enxergar que o nosso diferencial, o aspecto que torna o nosso Carnaval peculiar ante à festa no Rio e São Paulo é o chão-de-rua. Nossa alegria inigualável, a vibração única da festa de Salvador advém do desabafo singelo do cidadão comum. Seu distanciamento pode, no médio prazo, matar aquela que um dia foi identificada pelo Guiness book como maior comemoração de rua do planeta.
Preocupação semelhante apresentou o sociólogo e estudioso Mílton Moura, para quem a baianidade tal qual se apresentava no século passado acabou. São tendências dentro de um mesmo processo, penso eu. Mas não sou tão determinista. Há uma sucessão de mudanças na forma como se curte a folia que, da mesma forma que cresceu de dimensão nos últimos anos, pode vivenciar um refluxo.
Deixem-me explicar, lendo este parágrafo até o fim. O fator que mais me traz otimismo é justamente a recente greve da Polícia Militar. Parece paradoxal, talvez até mesmo seja, mas até Marco Prisco, o líder dos PMs revoltosos que ocuparam a Assembléia Legislativa, sabe que vai haver Carnaval. A Força Nacional ou o Exército vão colocar nas ruas tantos agentes sejam necessários para garantir a segurança do evento.
Todos estão cientes que, turisticamente, a folia foi contaminada. Entre 10% e 30% dos pacotes previstos foram cancelados. O tempo é curto para uma reversão deste quadro. Já o cidadão desta complexa Soterópolis permanece na cidade, gosta de correr atrás do trio e será o beneficiário principal caso venha menos turistas. Em conclusão: vai rolar a festa, o folião vai está nas ruas como todo o gás, mas virá este ano com sua parcela doméstica mais forte.
Tomará que a experiência sirva para mostrar que, parafraseando o hino do meu Bahea, no Carnaval essa voz do povo é o nosso alento. O pipoca fez o Carnaval da cidade da Bahia e não pode ser retirado dele. A greve mostrou a necessidade de a segurança pública ser repensada. Não se deve esperar uma crise para só depois a folia baiana ser repensada.
Por Adriano Villela
Há aproximadamente um ano, saíamos de um reinado de Momo com a perspectiva clara da perda da identidado de Carnaval de Salvador. O declínio do público no circuito Osmar, o Campo Grande-Rua Carlos Gomes, a outrora denominada Avenida, mostra isso.Até os anos 80, o circuito do Carnaval era este. O trajeto Barra Ondina surgiu depois, fruto em parte da explosão comercial da festa.
Camarotes cada vez ocupando o espaço das calçadas defronte à pista por onde passam os trios ajudam a tornar o Carnaval baiano cada vez menos de rua, império do folião pipoca, popular, sem filiação a qualquer bloco de abadás.
Não sou contra o desenvolvimento comercial da música baiana, a chamada economia do lúdico. Foi ela o responsável por torná-la tão conhecida e admirada internacionalmente. Porém, é preciso enxergar que o nosso diferencial, o aspecto que torna o nosso Carnaval peculiar ante à festa no Rio e São Paulo é o chão-de-rua. Nossa alegria inigualável, a vibração única da festa de Salvador advém do desabafo singelo do cidadão comum. Seu distanciamento pode, no médio prazo, matar aquela que um dia foi identificada pelo Guiness book como maior comemoração de rua do planeta.
Preocupação semelhante apresentou o sociólogo e estudioso Mílton Moura, para quem a baianidade tal qual se apresentava no século passado acabou. São tendências dentro de um mesmo processo, penso eu. Mas não sou tão determinista. Há uma sucessão de mudanças na forma como se curte a folia que, da mesma forma que cresceu de dimensão nos últimos anos, pode vivenciar um refluxo.
Deixem-me explicar, lendo este parágrafo até o fim. O fator que mais me traz otimismo é justamente a recente greve da Polícia Militar. Parece paradoxal, talvez até mesmo seja, mas até Marco Prisco, o líder dos PMs revoltosos que ocuparam a Assembléia Legislativa, sabe que vai haver Carnaval. A Força Nacional ou o Exército vão colocar nas ruas tantos agentes sejam necessários para garantir a segurança do evento.
Todos estão cientes que, turisticamente, a folia foi contaminada. Entre 10% e 30% dos pacotes previstos foram cancelados. O tempo é curto para uma reversão deste quadro. Já o cidadão desta complexa Soterópolis permanece na cidade, gosta de correr atrás do trio e será o beneficiário principal caso venha menos turistas. Em conclusão: vai rolar a festa, o folião vai está nas ruas como todo o gás, mas virá este ano com sua parcela doméstica mais forte.
Tomará que a experiência sirva para mostrar que, parafraseando o hino do meu Bahea, no Carnaval essa voz do povo é o nosso alento. O pipoca fez o Carnaval da cidade da Bahia e não pode ser retirado dele. A greve mostrou a necessidade de a segurança pública ser repensada. Não se deve esperar uma crise para só depois a folia baiana ser repensada.
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